Publicado em: 02/04/2026 às 10:00hs
O agronegócio brasileiro vive um momento de forte expansão produtiva, ao mesmo tempo em que enfrenta desafios crescentes no acesso ao crédito e na gestão de riscos. A avaliação é da especialista em crédito de risco Phamella Lourenço, que destaca um cenário de oportunidades acompanhado por maior complexidade financeira no campo.
A expectativa de uma colheita superior a 350 milhões de toneladas evidencia a relevância do setor para a economia nacional. O desempenho produtivo mantém o agro como um dos principais motores do crescimento do país.
No entanto, esse avanço ocorre em um contexto de desaceleração da agropecuária e de condições mais restritivas para o financiamento das atividades rurais.
O acesso ao crédito rural tem se tornado mais limitado e seletivo. Instituições financeiras adotam uma postura mais conservadora, elevando os critérios de análise e exigindo maior nível de garantias por parte dos produtores.
Além disso, a menor disponibilidade de recursos no mercado contribui para dificultar o financiamento, especialmente em um ambiente de maior incerteza econômica.
Entre os principais entraves apontados está o patamar elevado das taxas de juros, que encarece o custo do capital e reduz a capacidade de investimento no campo.
Esse cenário impacta diretamente a sustentabilidade financeira das operações, exigindo maior planejamento e controle por parte dos produtores.
O setor reúne diferentes perfis de produtores, desde aqueles já consolidados — muitas vezes com alto nível de endividamento — até novos entrantes, ainda sem histórico financeiro robusto.
Também há sucessores que assumem propriedades rurais sem preparo adequado na gestão financeira. Apesar das diferenças, todos enfrentam dificuldades crescentes no acesso ao crédito.
A ausência de um seguro rural eficiente e acessível é outro fator que aumenta a exposição a riscos no agronegócio.
Somam-se a isso problemas estruturais, como limitações em logística, armazenagem e gestão, que elevam os custos e reduzem a competitividade das operações.
Diante desse cenário, as operações de crédito se tornam mais complexas e exigem avaliações mais detalhadas. O processo envolve análise criteriosa do perfil do produtor, da capacidade de pagamento e dos riscos envolvidos.
Nesse contexto, cresce a importância de profissionais especializados, capazes de apoiar decisões mais seguras e sustentáveis.
Segundo Phamella Lourenço, o crédito vai além dos números e tem impacto direto na continuidade das atividades no campo.
A combinação entre produção em alta e restrições financeiras reforça a necessidade de equilíbrio entre crescimento e gestão de riscos, tornando o ambiente do agronegócio ao mesmo tempo promissor e desafiador.
Fonte: Portal do Agronegócio
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