Publicado em: 02/04/2026 às 11:45hs
A partir de 1º de maio, o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e os países do Mercosul – Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai – passa a vigorar de forma provisória. A medida inaugura um novo ciclo para o agronegócio brasileiro, que vai além do comércio e se concentra também no posicionamento internacional.
Em um mercado global cada vez mais orientado por critérios de origem, sustentabilidade e transparência, o desafio para o setor agropecuário brasileiro passa a incluir a construção de uma narrativa consistente sobre seus produtos.
Durante o encontro ABMRA Ideia Café, realizado em 31 de março pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA), o conselheiro de comércio da Delegação da União Europeia em Brasília, Damian Vicente Lluna, destacou que o acordo chega em um momento de transformação das relações comerciais globais.
Segundo Lluna, a forma como o agro brasileiro se apresenta ao mercado europeu é tão determinante quanto sua competitividade produtiva. “Há uma oportunidade clara de fortalecer a confiança no produto brasileiro. O investimento em rastreabilidade e em novas certificações pode transformar a percepção do agro no mercado europeu”, afirmou.
Nos últimos anos, a imagem dos produtos agropecuários brasileiros foi impactada por debates relacionados ao desmatamento e às práticas ambientais. Embora avanços recentes tenham reduzido parte desse ruído, o cenário ainda exige ações estruturadas do setor para consolidar uma percepção positiva.
Segundo Lluna, três pilares passam a guiar a comunicação do agronegócio brasileiro no exterior: rastreabilidade, confiabilidade e sustentabilidade.
“Demonstrar esses atributos deixa de ser um diferencial e passa a ser requisito básico para acessar o mercado europeu”, explicou Lluna. Ele também destacou que a abertura comercial virá acompanhada de demanda crescente por comprovação dessas práticas, por meio de sistemas robustos de controle e certificação.
O presidente da ABMRA, Ricardo Nicodemos, afirma que o momento exige uma mudança de postura do setor. “Estamos diante de uma oportunidade de reposicionar o agro brasileiro não apenas como fornecedor, mas como uma marca global. Isso passa necessariamente por uma comunicação mais estratégica e alinhada às demandas do mercado internacional”, disse.
Nicodemos reforçou que, com o acordo, o desafio do setor é duplo: capturar oportunidades comerciais e avançar no posicionamento internacional. “A consolidação de uma narrativa consistente, apoiada por dados e evidências, será determinante para ampliar a competitividade e sustentar o acesso a mercados mais exigentes”, concluiu.
Fonte: Portal do Agronegócio
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