Publicado em: 19/07/2013 às 11:20hs
Aplicada pela primeira vez pela Embrapa em 2006, a integração agrícola florestal, batizada de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF), é aplicada em mais de 300 fazendas no País e pode alcançar o mesmo grau de importância que tem hoje a técnica do plantio direto.
Essa perspectiva já chama a atenção de empresas de máquinas e insumos, já que o aumento do cultivo de florestas em áreas agrícolas deve demandar mais equipamentos e produtos específicos por parte dos produtores Rurais, segundo fontes do setor consultadas pelo DCI.
Neste ano, o Plano Agropecuário disponibilizará R$ 3,4 bilhões para o Programa ABC (Agricultura de Baixo Carbono), que financia produtores a adotarem a técnica de integração com Floresta, entre outras técnicas para a redução de emissões de gases do efeito estufa. Também neste ano foi aprovada a Política Nacional de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, que busca aperfeiçoar a produtividade das fazendas com integração. Aprovada em abril, a política entrará em vigor em outubro.
O coordenador do programa de ILPF da Cocamar, Rafael Franciscati, acredita na expansão da técnica em todo o País, mas em um nível menor que o projetado para o Paraná.
A adoção da técnica é vista como uma solução principalmente para pequenos e médios produtores que possuem pastagens degradadas, pobres em matéria orgânica.
Entraves para o crescimento
A maior dificuldade para que a integração agrícola e florestal ganhe escala é, segundo o presidente da Associação Brasileira do agronegócio (Abag), Luiz Carlos Corrêa, a falta de assistência técnica para os produtores. "A tecnologia já existe, é comprovada. Mas, para ganhar escala, precisa de assistência. É algo que passa por fases, primeiro é a integração entre Lavoura e pecuária, e depois para a Floresta", afirma Correa.
Ele acredita que a criação da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), prometida pelo governo federal na ocasião de lançamento do Plano Agrícola Pecuário 2013/2014, pode ser uma ferramenta para ajudar a disseminar os conhecimentos sobre ILPF.
A Cocamar e a Embrapa têm uma parceria que envolve também a John Deere e a Syngenta para disseminar os conhecimentos para a adoção da técnica.
João Pontes, diretor de planejamento estratégico para a América Latina da John Deere, acredita a integração tem potencial para crescer também entre produtores de grande porte, como já ocorre na região oeste da Bahia.
Outra empresa que está dando os primeiros passos no mercado florestal é a Bayer Cropscience, divisão agrícola da multinacional alemã. A empresa registrou recentemente um fungicida para o controle da ferrugem do eucalipto e pretende apresentar ao mercado novos produtos para o controle de insetos e de plantas daninhas em três anos . Segundo o coordenador de contas chave para Floresta da Bayer Cropsciente, João Galon, o foco da empresa ainda é mais o segmento florestal isoladamente, que está entre os três maiores negócios de defensivos vegetais da companhia. "[Mas] acreditamos que haverá um crescimento [da integração]", diz. Para Galon, o avanço da ILPF tem maior espaço entre pecuaristas e produtores independentes.
A Valtra, por sua vez, trabalha com um projeto-piloto de ILPF em uma fazenda em Montes Claros (MG), para o qual fornece tratores para o cultivo de pés de café, que são plantados ao lado de árvores para a indústria moveleira.
A empresa é menos otimista com a perspectiva de ampliação da integração agrícola e florestal no Brasil. O gerente de vendas da Valtra, Alexandre de Assis, afirma que a técnica para integrar florestas é cara, já que demanda investimentos de ao menos R$ 1 milhão com máquinas para colheita de madeira. "Há uma tendência em estudado, mas não existe forte demanda", afirma. Assis observa ainda que o desenvolvimento da ILPF enfrenta gargalos logísticos, como a dificuldade de transportar a madeira para indústrias de celulose móveis.
Retorno econômico da ILPF
As fazendas do Grupo Montecristo, no Paraná, investiram muito pouco para iniciar a integração em seus 4 mil hectares. Para plantar Floresta de eucalipto, o grupo gastou ao menos R$ 4 mil por hectare, enquanto a Silvicultura custou no mínimo R$ 3 mil por hectare. Realizado há cinco anos, o investimento em eucaliptos está começando a dar retorno neste ano, enquanto o projeto de Silvicultura, iniciado há menos de um ano, levará mais quatro anos para dar resultado, afirma Henrique Moino, assistente do projeto de integração do grupo. Ele ressalta que a integração aumenta a rentabilidade e cita um levantamento da Consufor, segundo o qual o investimento em florestas foi o segundo mais rentável entre 2008 e 2012, atrás apenas do ouro.
Fonte: DCI - Diário do Comércio & Indústria
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