Publicado em: 19/01/2026 às 07:00hs
O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) abre um novo horizonte para o agronegócio sul-americano, especialmente para o tabaco brasileiro, que já tem a Europa como destino de mais de 30% de suas exportações anuais.
Com a redução progressiva das tarifas de importação, o Brasil deve conquistar maior competitividade frente aos países africanos, hoje beneficiados por isenções no acesso ao mercado europeu.
De acordo com Valmor Thesing, presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), o acordo tem potencial para corrigir distorções competitivas que prejudicam o produto brasileiro.
“Os principais concorrentes do Brasil — como Maláui, Tanzânia e Zimbábue — já possuem isenção tarifária na exportação de tabaco para a Europa. A redução gradual das alíquotas vai permitir que o Brasil volte a competir em igualdade de condições”, destaca.
Nos últimos anos, esses países africanos aumentaram significativamente a produção e o volume exportado, o que reforça a importância do tratado para preservar a participação brasileira no mercado europeu.
Segundo dados do ComexStat, sistema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a União Europeia importou US$ 1,12 bilhão em tabaco brasileiro em 2025, totalizando quase 204 mil toneladas.
Os números confirmam a relevância do bloco europeu como destino estratégico e consolidam o Brasil como fornecedor confiável, regular e de alta qualidade, graças ao Sistema Integrado de Produção de Tabaco (SIPT), que garante padrões de rastreabilidade e sustentabilidade.
Apesar da perspectiva otimista, o presidente do SindiTabaco alerta que os efeitos do acordo não serão imediatos.
“A desgravação — ou seja, a redução progressiva das tarifas — ocorrerá ao longo de alguns anos”, explica Thesing.
O tabaco manufaturado terá redução total das tarifas em quatro anos, enquanto o tabaco não manufaturado passará por sete anos de desgravação até alcançar isenção completa.
Antes de entrar em vigor, o texto do acordo ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu e pelos congressos nacionais dos países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Alguns países europeus, como a França, têm solicitado ajustes adicionais para proteger seus produtores locais, o que pode atrasar a efetivação do tratado.
Mesmo com a implementação gradual, o acordo é visto como estratégico para o fortalecimento da cadeia produtiva do tabaco no Brasil, ao ampliar o acesso a um dos mercados mais exigentes do mundo.
“A expectativa é que o tratado traga ganhos reais de competitividade e gere oportunidades para novos negócios no longo prazo”, conclui Thesing.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias