Mercado Florestal

Tecnologia da UFLA usa inteligência artificial para avaliar madeira em tempo real e modernizar setor florestal

Pesquisa desenvolve sistema com sensores NIR e modelos de IA capazes de identificar propriedades da madeira no campo, reduzindo tempo, custos e dependência de laboratório


Publicado em: 22/06/2026 às 09:30hs

Tecnologia da UFLA usa inteligência artificial para avaliar madeira em tempo real e modernizar setor florestal

Uma pesquisa da Universidade Federal de Lavras (Universidade Federal de Lavras) está desenvolvendo uma tecnologia que permite avaliar a qualidade da madeira em tempo real, diretamente no campo ou na indústria, com uso de inteligência artificial e sensores de infravermelho próximo (NIR). A inovação promete transformar processos tradicionais do setor florestal, hoje marcados por análises laboratoriais demoradas e de alto custo.

O projeto busca levar a análise da madeira para ambientes como florestas, pátios de estocagem e linhas industriais, eliminando a necessidade de envio de amostras para laboratórios e acelerando a tomada de decisão na cadeia produtiva.

Inteligência artificial e sensores NIR tornam análise da madeira mais rápida e precisa

A tecnologia desenvolvida utiliza espectrômetros portáteis NIR combinados com modelos matemáticos e algoritmos de aprendizado de máquina.

Esses sistemas são capazes de estimar, em tempo real, características como:

  • Densidade da madeira
  • Teor de umidade
  • Identificação de espécies florestais

A análise é feita a partir da leitura da “assinatura espectral” de cada amostra, gerada quando a madeira reflete a luz infravermelha de forma específica. Esse padrão é interpretado por modelos treinados com dados laboratoriais de referência.

Equipamentos portáteis reduzem custos e ampliam aplicação no campo

Entre os dispositivos utilizados na pesquisa está o espectrômetro portátil TrinamiX, baseado em tecnologia NIR de nova geração. O equipamento possui arquitetura mais compacta e custo significativamente inferior aos sistemas tradicionais de laboratório.

Enquanto equipamentos convencionais podem chegar a cerca de R$ 250 mil, o modelo portátil utilizado no estudo tem investimento estimado em R$ 70 mil, ampliando o acesso à tecnologia no setor florestal.

Tecnologia funciona mesmo em madeira úmida e condições desafiadoras

Segundo os pesquisadores, os modelos de inteligência artificial foram treinados para operar em cenários complexos, como madeira recém-cortada, úmida ou com superfícies irregulares.

Um dos avanços do estudo é a chamada “transferência de calibração”, que permite aplicar modelos desenvolvidos em laboratório diretamente em sensores portáteis, ampliando a escala de uso da tecnologia no campo e na indústria.

Inovação integra conceito de Floresta 4.0 e amplia controle de qualidade

A pesquisa está alinhada ao conceito de Floresta 4.0, que propõe maior digitalização e automação dos processos florestais.

Na prática, a tecnologia pode contribuir para:

  • Monitoramento em tempo real da qualidade da madeira
  • Redução de desperdícios na indústria
  • Maior eficiência no processamento florestal
  • Apoio à fiscalização e combate à madeira ilegal

A capacidade de identificar espécies também pode reforçar ações de controle ambiental e rastreabilidade da cadeia produtiva.

Projeto é financiado pela Fapemig e integra rede internacional de pesquisa

Financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais, o projeto teve início em 2024 e faz parte de uma linha de pesquisa da UFLA com mais de uma década dedicada ao uso da espectroscopia NIR aplicada à madeira.

A iniciativa envolve colaboração com instituições brasileiras como:

  • Universidade Federal de Viçosa
  • Universidade Federal do Tocantins
  • Universidade Federal do Espírito Santo

E cooperação internacional com o Centre de Coopération Internationale en Recherche Agronomique pour le Développement, da França.

Próximos passos incluem expansão de dados e automação industrial

As próximas etapas da pesquisa incluem a ampliação das bases de dados, integração de novos sensores e aprimoramento dos modelos de inteligência artificial.

A equipe também pretende desenvolver sistemas automatizados capazes de operar continuamente em ambientes industriais e ampliar parcerias com empresas do setor florestal para validação em escala comercial.

Resultados já incluem publicações internacionais e formação de pesquisadores

Até o momento, o projeto já resultou em publicações científicas em periódicos internacionais e na formação de estudantes brasileiros e estrangeiros, incluindo pesquisadores do Peru e de Moçambique, reforçando o caráter global da iniciativa.

Fonte: Portal do Agronegócio

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