Publicado em: 25/03/2026 às 19:20hs
O setor florestal do Paraná registrou forte retração nas exportações em 2025, impactado diretamente pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos. Dados da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE Florestas) mostram queda expressiva em segmentos altamente dependentes do mercado norte-americano.
No consolidado, as exportações florestais paranaenses somaram US$ 2,3 bilhões em 2025, recuo de cerca de 9% em relação aos US$ 2,5 bilhões registrados em 2024 — uma perda aproximada de US$ 226 milhões.
Os setores mais afetados foram aqueles com maior concentração de vendas para os Estados Unidos.
O segmento de molduras, que destinou 98% de sua produção ao mercado norte-americano em 2025, registrou queda de 61% nas exportações, passando de US$ 241 milhões em 2024 para US$ 150 milhões.
Já o segmento de portas de madeira, com 95% das exportações voltadas aos EUA, teve retração de 55%, com receitas caindo de US$ 88 milhões para US$ 57 milhões no mesmo período.
Segundo o presidente da APRE Florestas, Fabio Brun, os efeitos do tarifaço não se limitaram aos resultados financeiros.
O setor estima a perda de cerca de 10 mil empregos ao longo de 2025, com maior impacto no segundo semestre. De acordo com ele, o ambiente de negócios segue desafiador e exige adaptação das empresas.
Brun destaca que, diante do cenário, as companhias precisam rever estratégias, diversificar portfólio e buscar novos mercados para reduzir a dependência externa.
Além dos segmentos mais afetados pelas tarifas, outros produtos florestais também apresentaram recuo, influenciados pelo aumento da oferta e pela queda nos preços internacionais.
A biomassa florestal teve redução de 38%, passando de US$ 29 milhões em 2024 para US$ 21 milhões em 2025.
O compensado de pinus registrou queda de 13%, totalizando US$ 488 milhões em exportações, enquanto a celulose recuou 11%, somando US$ 364 milhões no período.
Apesar do ambiente desfavorável, alguns segmentos apresentaram desempenho positivo em 2025.
O serrado de folhosas avançou 21,4%, com exportações de US$ 17 milhões. O setor de móveis de madeira cresceu 11%, atingindo US$ 110 milhões, enquanto o papel teve alta de 2,2%, totalizando US$ 841 milhões.
A participação do Paraná nas exportações florestais brasileiras caiu de 15% em 2024 para 14,5% em 2025.
Ainda assim, o estado mantém posição de destaque em segmentos como compensado de pinus, com 68% das exportações nacionais, e molduras, com 62,5% de participação.
Por outro lado, no setor de papel, houve avanço na representatividade, passando de 33% para 35% no mesmo período.
Para 2026, a expectativa do setor é de cautela quanto ao crescimento das exportações, diante da continuidade dos desafios no mercado internacional.
Segundo Fabio Brun, o momento também reforça a importância estratégica das florestas plantadas, especialmente no contexto de sustentabilidade e mitigação das mudanças climáticas.
O dirigente destaca que, no ano em que se completam 120 anos da introdução do pinus no Brasil, o setor precisa reforçar seu papel econômico e ambiental, ao mesmo tempo em que busca maior resiliência frente às oscilações do comércio global.
Fonte: Portal do Agronegócio
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