Mercado Florestal

Silvicultura de Precisão Revoluciona o Setor Florestal e Impulsiona Produtividade no Brasil

Transformação Tecnológica no Setor Florestal


Publicado em: 26/01/2026 às 12:30hs

Silvicultura de Precisão Revoluciona o Setor Florestal e Impulsiona Produtividade no Brasil
Foto: Zig Koch

A silvicultura brasileira passa por uma profunda transformação com a adoção de tecnologias que integram todas as etapas do ciclo produtivo. Conhecida como silvicultura de precisão, essa abordagem une genética avançada, automação, sensoriamento remoto, análise de dados e inteligência artificial para otimizar o manejo das florestas plantadas.

Segundo Ailson Loper, diretor executivo da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE Florestas), o conceito já é uma realidade no Paraná. “A silvicultura de precisão representa o uso coordenado de todas as tecnologias disponíveis para elevar a produtividade e garantir a sustentabilidade. Hoje conseguimos atuar até no nível de cada árvore individual”, destaca o especialista.

Genética Avançada e Viveiros Inteligentes

A base da silvicultura de precisão começa nos viveiros clonais e pomares de sementes, onde ocorre o aprimoramento genético. Técnicas como hibridação, clonagem, polinização controlada e embriogênese somática garantem mudas mais vigorosas, resistentes e adaptadas às condições locais.

A automação também está presente desde essa fase, com sistemas de irrigação, nutrição e controle de temperatura automatizados. O uso de bioinsumos e inimigos naturais substitui defensivos químicos, contribuindo para uma produção mais sustentável.

“Cada muda é resultado de um planejamento preciso, sustentado por dados de solo, clima e material genético”, explica Loper.

Planejamento Detalhado e Plantio Baseado em Dados

No campo, o plantio segue um microplanejamento orientado por dados. Informações sobre solo, relevo, clima e produtividade histórica são combinadas para escolher as espécies e clones mais adequados a cada área.

A silvicultura de precisão substitui o modelo tradicional, baseado apenas no hectare, por uma abordagem de microtalhões, ajustando o manejo conforme a variação do terreno. Sensores, estações meteorológicas e softwares de georreferenciamento ajudam a otimizar o uso de água, fertilizantes e insumos, aumentando a taxa de sobrevivência das mudas e reduzindo perdas.

Monitoramento com Drones e Inteligência Artificial

Após o plantio, o monitoramento das florestas é realizado com drones equipados com sensores multiespectrais, câmeras térmicas e radares de alta resolução. Esses equipamentos identificam precocemente falhas no plantio, estresse hídrico, pragas e áreas de baixa produtividade.

Os dados coletados são processados em plataformas digitais que geram mapas de vigor e biomassa, além de alertas para manejo. “A inteligência artificial nos permite antecipar riscos climáticos, prever surtos de pragas e ajustar o manejo de forma muito mais assertiva”, ressalta Loper.

Colheita Mecanizada e Alta Precisão Operacional

Durante o crescimento da floresta, operações como poda, desbaste e controle de pragas são planejadas com base em modelos de crescimento e previsões de produtividade.

Na colheita, a mecanização é protagonista: máquinas como harvesters e forwarders trabalham de forma integrada, cortando, desgalhando, seccionando e transportando toras com precisão. Equipadas com sistemas de georreferenciamento e otimização de sortimentos, essas máquinas garantem maior aproveitamento da madeira e menor impacto ambiental.

Centros de comando integrados controlam rotas, cronogramas e sequências de corte, elevando a eficiência operacional e reduzindo custos.

Silvicultura de Precisão Já É Realidade no Brasil

Com o avanço da digitalização, o grande volume de dados coletados ao longo de todo o ciclo florestal é usado em modelos preditivos e ferramentas de análise estratégica. Para a APRE Florestas, a silvicultura de precisão já é uma prática consolidada, especialmente entre empresas de base florestal do Paraná.

“Estamos produzindo mais, com menor impacto ambiental e com base em conhecimento científico. Esse é o novo paradigma da silvicultura brasileira”, conclui Ailson Loper, da APRE Florestas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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