Publicado em: 26/03/2026 às 13:00hs
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia (PCTSul) e a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura firmaram uma parceria estratégica para ampliar a silvicultura de espécies nativas no país. A iniciativa prevê aporte de R$ 24,9 milhões ao Programa de Pesquisa e Desenvolvimento em Silvicultura de Espécies Nativas (PP&D-SEN), que terá atuação na Mata Atlântica e na Amazônia, com foco em inovação científica e manejo sustentável.
O lançamento do PP&D-SEN ocorreu em evento institucional no Rio de Janeiro (RJ), reunindo representantes do BNDES, da UFSCar, da Embrapa e da Coalizão Brasil. O programa atuará nos próximos cinco anos em 14 sítios de pesquisa, envolvendo 30 espécies nativas.
A coordenação do projeto ficará dividida entre a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), responsável pelas ações na Mata Atlântica, e a Embrapa, que coordenará os trabalhos na Amazônia. A gestão financeira e administrativa será conduzida pela Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FAI), vinculada à UFSCar, com participação de outras instituições e empresas interessadas.
O superintendente da Área de Meio Ambiente do BNDES, Nabil Kadri, ressaltou que a agenda de valorização das florestas nativas e restauração florestal tem prioridade máxima para o banco.
“Chegamos a 2026 com uma carteira que mobilizou R$ 7 bilhões, gerou 70 mil empregos e estima plantar mais de 280 milhões de árvores. Em três anos, entregamos um plano de plantio de mais de uma árvore por habitante do Brasil”, afirmou.
Segundo Targino de Araújo Filho, diretor da FAI-UFSCar, o financiamento do BNDES permitirá ampliar o papel do Brasil na produção mundial de madeira tropical, atualmente em cerca de 10%. “Nosso objetivo é permitir que pesquisadores dediquem integralmente seu tempo ao programa, aumentando escala e resultados concretos”, explicou.
Carolle Alarcon, gerente-executiva da Coalizão Brasil, destacou que o projeto representa uma mudança estratégica: sair de uma agenda de potencial para uma agenda de implementação, integrando investimentos, marco regulatório e políticas públicas.
O PP&D-SEN iniciou a implantação de sítios de pesquisa em 2023, com doação de US$ 2,5 milhões do Bezos Earth Fund. Emily Averna, diretora associada de Restauração de Paisagens do fundo, ressaltou que o projeto brasileiro atua na “interseção entre pesquisa e inovação” e pode servir de modelo para outros países.
Pesquisadores da Embrapa e da UFSCar apontam que a silvicultura de espécies nativas permitirá diversificar o plantio de árvores na Amazônia e na Mata Atlântica, com espécies como cumaru, castanha-do-pará, copaíba, ipê e andiroba, atendendo desde a agricultura familiar até grandes empreendimentos.
Os arranjos silviculturais de larga escala também devem aproveitar áreas de pastagem degradadas, promovendo recuperação ambiental e produtividade econômica.
A silvicultura de nativas contribui para o cumprimento das metas do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), promovendo restauração de áreas degradadas, captura de carbono e geração de empregos no campo.
Além disso, o manejo sustentável reduz a pressão sobre florestas primárias e fortalece a cadeia produtiva da madeira tropical, posicionando o Brasil como referência em produção sustentável e inovação no setor florestal.
O PP&D-SEN busca consolidar a silvicultura de espécies nativas como uma atividade estratégica, ampliando escala, produtividade e competitividade do setor, além de integrar ciência, inovação e políticas públicas para garantir sustentabilidade ambiental e desenvolvimento econômico.
Fonte: Portal do Agronegócio
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