Publicado em: 10/07/2015 às 15:30hs
O Mato Grosso do Sul é o estado brasileiro que mais desenvolveu o setor florestal nos últimos 10 anos. Em 2005, o estado possuía uma área de florestas plantadas de, aproximadamente, 150 mil hectares e atualmente essa área já é de 820 mil hectares, um crescimento superior a 20% ao ano.
O acelerado crescimento da área de plantio foi alavancado pela instalação de duas fábricas de celulose no município de Três Lagoas: a Fíbria, em 2009, com capacidade de produção de 1,3 milhão de toneladas de celulose por ano, e a Eldorado, em 2012, com capacidade produtiva de 1,7 milhão de toneladas de celulose por ano.
Além do impacto causado por essas fábricas, outros projetos vinculados a diferentes categorias de investimento contribuíram para a formação da área atual de plantio, como, por exemplo, a presença das TIMO’s (Timberland Management Organizations), que juntas atualmente respondem por uma área de mais de cem mil hectares de plantio.
Recentemente, o setor florestal nacional foi impactado com o anúncio público da ampliação das duas fábricas de celulose de Três Lagoas. A Fibria anunciou o início da construção de uma segunda linha, com capacidade de produção de 1,75 milhões de toneladas por ano, enquanto que a Eldorado anunciou a adição de uma segunda linha, com capacidade de 2,0 milhões de toneladas por ano.
Uma vez finalizadas as ampliações, as duas fábricas terão capacidade de produção de 6,75 milhões de toneladas por ano, um aumento de 125%. O consumo de madeira no estado irá crescer proporcionalmente, adicionado à fábrica de MDF que está sendo desenvolvido no município de Água Clara, o consumo aumentará em 132% até 2019.
A demanda atual de madeira para a capacidade de produção anual de 3 milhões de toneladas de celulose requer uma área de plantio de aproximadamente 420 mil hectares. Em um cenário futuro seguro, com o anúncio das ampliações das plantas de celulose e a instalação da fábrica de MDF, o consumo demandará uma área de plantio de aproximadamente 930 mil hectares, 110 mil hectares a mais do que a área atual. Porém, esse cenário considera que nenhum outro empreendimento consumidor de madeira se desenvolverá no Estado nos próximos anos.
Porém, em um cenário alternativo, embora plausível, considerando também a implantação de uma terceira fábrica de celulose no município de Ribas do Rio Claro, com capacidade produtiva superior a 2,1 milhões de toneladas de celulose por ano e o desenvolvimento do mercado de madeira serrada e bioeletricidade no estado, a Forest2Market do Brasil projeta a necessidade de uma área de plantio superior a um milhão e trezentos mil hectares.
A Forest2Market do Brasil projeta que o Mato Grosso do Sul irá passar de uma situação favorável de suprimento - com 400 mil hectares de área de plantio em excesso – para um déficit de 110 mil hectares ou (em um cenário alternativo, mas bastante provável) 500 mil hectares nos próximos 4 anos. Em ambos cenários a competição por madeira irá se intensificar, pressionando tanto preços quanto suprimento. Graças à velocidade desta mudança o Brasil fará jus novamente à sua reputação de mercado florestal mais dinâmico da América Latina.
Marcelo Schmid é engenheiro florestal, advogado, mestre em Economia e Política Florestal, além de gerente da Forest2Market do Brasil.
Fonte: Painel Florestal
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