Publicado em: 03/02/2026 às 16:00hs
O mercado de madeira em Mato Grosso movimentou R$ 3,17 bilhões em 2025, registrando crescimento de 2,86% em relação a 2024, quando o setor faturou R$ 3,086 bilhões. Os dados são do Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira de Mato Grosso (Cipem) e incluem comercialização no mercado estadual e interestadual, exportações e venda de madeira em tora. No ano passado, o setor produziu 16,4 milhões de metros cúbicos de madeira.
O principal destino da produção mato-grossense foi o mercado interestadual, que respondeu por R$ 1,46 bilhão, equivalentes a 46,24% do total comercializado. O mercado estadual registrou R$ 877,2 milhões e as exportações somaram R$ 596,89 milhões (US$ 113,01 milhões). Já a venda de madeira em tora movimentou R$ 232,1 milhões.
Enquanto o mercado interestadual cresceu 18,89% em relação a 2024, o mercado estadual recuou 7,92% e as exportações caíram 10,5%. Este desempenho consolidou o comércio entre estados como principal motor do setor em Mato Grosso.
Apesar da elevação da tarifa norte-americana para produtos de madeira, que chegou a 50%, as exportações para os EUA cresceram de US$ 13,7 milhões em 2024 para US$ 15 milhões em 2025. A retração geral nas exportações, no entanto, é atribuída à burocracia causada pela inclusão de espécies como Ipê e Cumaru na CITES, mesmo com manejo florestal sustentável e rastreabilidade.
"A queda nas exportações não reflete falta de mercado ou irregularidade na produção. O setor de Mato Grosso é profissionalizado e sustentável. O que enfrentamos são entraves institucionais que afetam a competitividade da madeira brasileira", destaca Ednei Blasius, presidente do Cipem.
Entre os principais compradores internacionais estão:
Segundo Blasius, a participação em eventos nacionais e internacionais, junto ao uso de tecnologias de rastreabilidade, tem elevado o reconhecimento da madeira de Mato Grosso. Missões comerciais para a Ásia, congressos no Canadá e no Panamá e eventos como o Madeira Sustentável em outros estados contribuíram para a expansão do setor.
O setor florestal é estratégico para diversas regiões do estado, promovendo industrialização, arrecadação e geração de empregos. Mato Grosso conta atualmente com 1.339 estabelecimentos, que empregam 10.323 trabalhadores diretos e cerca de 30 mil indiretos, em 89 municípios. Em Colniza, por exemplo, o setor representa 18% dos empregos formais.
A arrecadação do Fethab somou R$ 28,5 milhões em 2025, recursos aplicados em infraestrutura e habitação.
Para 2026, o Cipem prevê a entrega do primeiro guia de coleta botânica, que irá orientar atividades de base florestal. Além disso, o projeto de Formação de Identificadores Botânicos deve reduzir o tempo de registros das espécies e melhorar a qualidade dos inventários em manejos florestais.
O Cipem destaca a necessidade de modernização e racionalização das normas que regem a atividade, incluindo:
Essas mudanças visam reduzir burocracias, aumentar a eficiência e fortalecer a competitividade da madeira brasileira no mercado internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
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