Publicado em: 13/07/2023 às 09:20hs
Assim como o setor sucroenergético no Brasil, o setor florestal é uma potência, correspondendo a 8,1% das exportações no 1° trimestre, segundo a Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ). O valor de produção da silvicultura (florestas plantadas) no ano passado cresceu 26,1% e chegou à casa dos R$23 bilhões. Embora tenha se atualizado nos últimos anos, não conseguiu acompanhar o crescimento desse gigante – nem aplacar um problema crônico: carência de mão de obra. Para Renato Campos, gerente geral da Motocana, empresa que produz equipamentos para a movimentação de carga no setor florestal, há uma série de razões para o quadro atual.
“A modernização na área é relativamente nova, e ainda estamos em um processo de mecanização e aperfeiçoamento tecnológico. Então, muitos postos de trabalho ainda são manuais, o que afasta os jovens interessados”, pontua Renato.
As condições do trabalho manual na silvicultura são adversas, com exposições prolongadas à chuva e sol, grandes deslocamentos e exigência físicas. Portanto, a mão de obra disponível prefere migrar para a cidade em busca de novas oportunidades do que permanecer no campo, onde cada vez mais cresce os empregos técnicos. Segundo o levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (IPEF) com 17 empresas, entre 2020 e 2021, para medir o nível de mecanização da silvicultura no país, eram 48,5% empresas mecanizadas contra 45% manuais.
A evolução da tecnologia no campo, porém, exige mão de obra especializada, criando uma nova dificuldade. Segundo o levantamento do IPEF já citado, a quantidade média de operadores de máquinas na silviculturais é de 14,3 para cada 10.000 ha. A área total da silvicultura no país, segundo o IBGE no ano passado, é de 9,5 milhões de ha. Como alternativa à escassez, muitas empresas investem no treinamento e especialização de funcionários. Segundo o gerente geral da Motocana, parte da solução cabe ao mercado:
“É necessário otimizar os recursos para melhorar a produtividade do campo. E, claro, contamos com investimentos do governo em pesquisas para isso, mas a parceria com empresas é fundamental, já que elas conhecem os desafios melhor do que ninguém e possuem os recursos”.
Para ele, é necessário aporte à pesquisas de desenvolvimento na área, seja em parceria com universidades, startups, e empresas ligadas ao setor, além de convênios que facilitem o ingresso de recém-formados e a continuidade dos programas internos de fomento à educação. Tais medidas, se seguidas e estimuladas, podem ser a chave para preencher as vagas.
Fonte: Vira Comunicação
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