Mercado Florestal

FLORESTAS: Novas indústrias e alta produtividade no plantio impulsionam setor

O Paraná tem 1,4 milhão de hectares de florestas plantadas, de acordo com a Emater – 51% estão nas mãos de produtores rurais


Publicado em: 20/10/2015 às 16:45hs

FLORESTAS: Novas indústrias e alta produtividade no plantio impulsionam setor

Dono de uma das florestas mais competitivas do mundo, o Paraná vem dando novo impulso à atividade florestal, embalado pelos novos investimentos industriais e a alta produtividade no plantio de pinus e eucalipto. Além de grandes projetos das indústrias de madeira, papel e celulose, as cooperativas agropecuárias começam a apostar nesse segmento.

Momento favorável - “O setor de papel e celulose, que está crescendo e vive momento favorável com os bons preços internacionais, e as cooperativas, que usam a madeira na secagem de grãos e geração de biomassa, devem puxar a produção florestal no curto prazo”, disse o secretário de Estado da Agricultura do Abastecimento, Norberto Ortigara.

Consumo - O consumo de madeira, que atualmente está em 51 milhões de metros cúbicos, cresce 7% ao ano no Estado. Apesar de ser o maior produtor de pinus e o quarto maior de eucalipto do País, a produção florestal do Paraná ainda é insuficiente para atender a demanda. “Para fazer frente a esse ritmo, o Paraná precisará ampliar a área em pelo menos 500 mil hectares e alcançar 2 milhões de hectares nos próximos anos”, afirma Amauri Ferreira Pinto, coordenador estadual de Produção Florestal da Emater.

Paraná - O Paraná tem 1,4 milhão de hectares de florestas plantadas, de acordo com a Emater – 51% estão nas mãos de produtores rurais. “Há quinze anos, 60% das florestas eram de grandes empresas. A situação se inverteu e os produtores dominam esse cultivo no Paraná, com um grande alcance social”, disse o técnico da Emater.

Apoio – De acordo com Norberto Ortigara, o cultivo florestal deve crescer principalmente na pequena e média propriedade. De acordo com ele, uma reunião agendada para 27 de outubro deve definir, juntamente com os secretários de Estado do Planejamento, Silvio Barros, e do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Ricardo Soavinski, a ampliação do apoio à atividade florestal, com recuperação de áreas degradadas e aproveitamento racional na madeira.

Assistência - No último ciclo de produção, a Emater prestou assistência técnica e capacitou cerca de 61 mil produtores florestais, que vêm apostando na integração entre a agropecuária e a floresta. A silvicultura gera, por ano, um Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de R$ 4 bilhões e tem efeito multiplicador nos pequenos municípios do Estado. A cadeia florestal envolve 700 empresas, que empregam diretamente 32 mil pessoas, de acordo com dados do Instituto de Florestas do Paraná, ligado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento.

Concentração - A maior parte da área plantada concentra-se nas regiões de Ponta Grossa, com 393 mil hectares plantados, e de Curitiba, incluindo os municípios do Vale do Ribeira e da Região Sul, com 200 mil hectares plantados.

Pequenos - Do total da área plantada, cerca de 20% são áreas de 1 a 5 hectares, administradas por pequenos produtores. “A expansão do setor se dará em pequenas áreas”, aponta o engenheiro agrônomo Flavio Augusto Ferreira do Nascimento, do Instituto de Florestas do Paraná.

Mapeamento - De acordo com o mapeamento realizado pelo Instituto, o Paraná tem uma área menor do que a computada pela Emater, com 1,065 milhão de hectares plantados, sendo 340 mil hectares de eucalipto e 653 mil hectares de pinus. O número da Emater inclui também pequenas propriedades.

Rentabilidade – A atividade florestal já compete, em geração de renda, com grandes culturas, como a soja. De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), no ano passado, o Valor Bruto da Produção por hectare plantado com pinus e eucalipto no Paraná foi de R$ 3.600. Na mesma área, o VBP da soja por hectare foi de R$ 3.502,00. “O plantio de pinus e eucalipto, embora de ciclos longos de produção, garantem uma renda muito próxima da soja, mas com área quatro vezes menor”, revela Rosiane Dorneles, engenheira florestal do Instituto de Florestas do Paraná. A soja ocupa 24% da área total do Estado, enquanto, as florestas cobrem 5,4%. O investimento para iniciar a atividade é de R$ 6 mil por hectare.

Produtos - A madeira proveniente desses reflorestamentos é usada pelas indústrias para fabricação de pasta mecânica, celulose, madeira serrada, chapas e móveis. Além disso, as cooperativas agropecuárias aproveitam a madeira para produção de biomassa e energia para secagem de grãos, para alimentação de caldeiras e frigoríficos.

Preços atraentes - Com o crescimento da demanda, os preços estão atraentes para o produtor, de acordo com Amauri Ferreira Pinto, coordenador estadual de Produção Florestal da Emater. “Os preços pagos pela madeira estão em torno de US$ 20 por tonelada colocada no pátio da empresa. A tendência é que os preços subam com o crescimento da procura, se equiparando aos preços internacionais. No exterior, o preço pago chega a US$ 40 por tonelada”, pondera.

Fonte: Agência de Notícias do Paraná

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