Mercado Florestal

Exportações de madeira ensaiam recuperação em março, mas trimestre ainda registra forte queda

Exportações de madeira do Brasil crescem em março de 2026, mas setor acumula queda no 1º trimestre diante de desafios no mercado global


Publicado em: 13/04/2026 às 18:40hs

Exportações de madeira ensaiam recuperação em março, mas trimestre ainda registra forte queda
Foto: APRE Florestas

As exportações brasileiras de produtos madeireiros apresentaram leve recuperação em março de 2026, após um início de ano marcado por dificuldades. Apesar do avanço no último mês, o setor ainda acumula retração significativa no primeiro trimestre, refletindo um ambiente global desafiador e em transformação.

Dados da WoodFlow indicam que o cenário segue pressionado por fatores como instabilidade geopolítica, mudanças nos mercados compradores e maior concorrência internacional.

Recuperação em março não compensa perdas do trimestre

Em março, as exportações de madeira registraram crescimento de 2% em volume e 9% em valor na comparação com o mês anterior, sinalizando uma retomada ainda moderada dos embarques.

No entanto, o desempenho acumulado de 2026 continua negativo. Em relação ao mesmo período de 2025, o setor apresenta queda de 16% no volume exportado e recuo de 20% em valor.

Segundo Gustavo Milazzo, CEO da WoodFlow, o momento ainda exige cautela por parte das indústrias. A expectativa de retomada das vendas, especialmente para os Estados Unidos, ainda não se consolidou no ritmo esperado.

Indústrias operam com cautela diante de incertezas globais

A redução das tarifas de importação nos Estados Unidos chegou a gerar expectativas de aumento nos embarques. Porém, o ambiente dentro das fábricas permanece mais contido.

As incertezas geopolíticas e econômicas continuam influenciando as decisões de produção e exportação, limitando uma recuperação mais consistente do setor.

Além disso, os dados mostram que, embora os volumes exportados tenham se mantido relativamente estáveis ao longo do trimestre, os valores seguem mais voláteis, acompanhando as oscilações do dólar.

Mudança no perfil de mercados ganha força em 2026

Um dos principais movimentos observados neste início de ano é a alteração no perfil dos destinos das exportações brasileiras de madeira.

Os Estados Unidos vêm perdendo relevância, especialmente no segmento de madeira serrada de pinus. Em março, os embarques para o país somaram US$ 8,1 milhões, queda de 28% em relação a fevereiro.

No mesmo período, o México assumiu a liderança nas compras, com US$ 11,2 milhões, indicando uma reconfiguração no fluxo comercial.

Novos mercados ampliam participação nas exportações

Além do México, outros países têm ganhado espaço como destinos para os produtos madeireiros brasileiros.

No segmento de compensado de pinus, a Alemanha ampliou suas compras de US$ 5 milhões em janeiro para US$ 7,1 milhões em março. O México também avançou, passando de US$ 3,5 milhões para US$ 5,3 milhões no mesmo intervalo.

Outros destaques incluem a Suécia, que elevou suas importações de US$ 0,8 milhão para US$ 2,5 milhões no período, e o Vietnã, que passou a figurar entre os principais destinos da madeira serrada de pinus.

Tarifas e cenário geopolítico impactam exportações

As tarifas mais elevadas impostas anteriormente ao Brasil contribuíram para a redução significativa das exportações aos Estados Unidos.

Em março de 2025, os embarques totais para o país somaram US$ 66,8 milhões. Já em março de 2026, o valor caiu para US$ 18,9 milhões, atingindo o menor nível desde novembro do ano anterior.

Ao mesmo tempo, a instabilidade no Oriente Médio também afetou os fluxos comerciais. Após um período de crescimento até o fim de 2025, as exportações para a região recuaram 51% em fevereiro e 27% em março.

Países como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos reduziram significativamente suas compras, refletindo os impactos diretos das tensões na região.

Custos elevados e dólar mais fraco pressionam margens

O cenário econômico também tem imposto desafios adicionais aos exportadores brasileiros.

A valorização do real frente ao dólar reduz a competitividade dos produtos no mercado internacional, enquanto os custos de produção e frete seguem elevados.

Esse conjunto de fatores pressiona as margens das empresas e exige maior eficiência operacional e planejamento estratégico.

Perspectivas: setor enfrenta ano desafiador, mas com novas oportunidades

Para os próximos meses, a expectativa é de continuidade de um ambiente desafiador para o setor madeireiro.

Apesar da redução das tarifas para os Estados Unidos, atualmente em 10%, a concorrência internacional permanece intensa, especialmente de países com vantagens logísticas.

Por outro lado, o avanço das exportações para novos mercados e as negociações comerciais, como o acordo entre União Europeia e Mercosul, podem abrir oportunidades importantes ao longo de 2026.

Diante desse cenário, o setor segue atento aos desdobramentos geopolíticos e às mudanças no comércio global, buscando adaptar suas estratégias para manter competitividade em um ambiente cada vez mais dinâmico.

Fonte: Portal do Agronegócio

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