Publicado em: 15/01/2026 às 10:10hs
O setor madeireiro brasileiro encerrou 2025 com uma queda de 3% nas exportações, tanto em volume quanto em valores, segundo levantamento da WoodFlow com base em dados do ComexStat. O resultado reflete um ano marcado por instabilidades políticas e comerciais no cenário internacional, especialmente envolvendo os Estados Unidos e a Europa.
De acordo com Gustavo Milazzo, CEO da WoodFlow, o ano foi um dos mais desafiadores da última década.
“Fatores internos e externos afetaram diretamente as negociações, tornando 2025 um período de grande adaptação para o setor”, destacou o executivo.
Entre os produtos analisados pela WoodFlow estão madeira serrada de pinus, compensado de pinus, tora de eucalipto, madeira serrada tropical, tora de teca, compensado de eucalipto, compensado tropical, madeira serrada de teca, tora de pinus e toras tropicais.
No total, o setor movimentou US$ 1,6 bilhão em 2025, ante US$ 1,7 bilhão em 2024. A retração foi puxada principalmente pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos às importações brasileiras e pela incerteza gerada pelo regulamento europeu EUDR, que trata de produtos livres de desmatamento.
Os principais destaques em valor exportado foram o compensado de pinus, com US$ 712,6 milhões, e a madeira serrada de pinus, com US$ 662,1 milhões.
“Os Estados Unidos seguiram como principal destino, mas houve queda significativa a partir de abril, após o anúncio das tarifas recíprocas. Em setembro, os embarques caíram de forma acentuada”, explicou Milazzo.
Para ilustrar o impacto, o executivo aponta que em dezembro de 2024 o Brasil exportou US$ 45,8 milhões em produtos madeireiros para os EUA, enquanto no mesmo mês de 2025 o valor foi de apenas US$ 19,3 milhões.
Apesar das dificuldades, o setor mostrou capacidade de adaptação. Segundo a WoodFlow, a retração poderia ter sido ainda maior, não fosse a retomada gradual das exportações nos últimos meses de 2025.
“Acreditamos que esse movimento reflete a resiliência e a habilidade do produtor brasileiro em buscar novos mercados”, afirmou Milazzo.
Um exemplo é a madeira serrada de pinus, que teve pico de US$ 67,3 milhões exportados em fevereiro, caiu para US$ 42,7 milhões em agosto, mas voltou a US$ 55 milhões em dezembro.
Entre os novos destinos, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos se destacaram como alternativas promissoras.
Já o compensado de pinus apresentou recuperação a partir de novembro, impulsionada pela possível prorrogação do EUDR na Europa, confirmada em dezembro. As exportações do produto subiram de US$ 37,3 milhões em novembro para US$ 58,6 milhões no último mês do ano.
Para 2026, o setor madeireiro deve manter o foco em eficiência operacional e diversificação de mercados. Milazzo destaca que o próximo ano será crucial para ajustes estratégicos dentro das empresas.
“2026 é o momento de revisar processos, reduzir custos e ampliar a diversificação. Apesar dos desafios de 2025, o mercado mostrou resiliência. É hora de trabalhar com responsabilidade, manter a qualidade e olhar para o futuro com otimismo”, concluiu o CEO da WoodFlow.
Fonte: Portal do Agronegócio
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