Mercado Florestal

Desastre obriga Cenibra a suspender produção de celulose

Empresa informou que suspendeu sua produção e que procura alternativas para solucionar o problema. A Cenibra representa cerca de 6,5% da produção nacional de celulose.


Publicado em: 19/11/2015 às 16:00hs

Desastre obriga Cenibra a suspender produção de celulose

A lama e os detritos liberados pelo rompimento da barragem da mineradora Samarco, na cidade mineira de Mariana, contaminaram o Rio Doce e comprometeram a captação de água para a produção da fabricante de celulose Cenibra, cuja fábrica fica na cidade de Belo Oriente (cerca de 250 km de Belo Horizonte).

A empresa informou que suspendeu sua produção desde o último sábado e que procura alternativas para solucionar o problema. A Cenibra, controlada pelo grupo japonês JBP, repassa a maior parte de sua produção – de 1,2 milhão de toneladas por ano – para subsidiárias do conglomerado do qual faz parte. Hoje, a empresa representa cerca de 6,5% da produção nacional de celulose, que está em 16 milhões de toneladas ao ano.

As líderes do mercado brasileiro são as gigantes Fibria e Suzano. Lama e detrito contaminaram o Rio Doce. A paralisação da unidade da Cenibra vem em um momento em que o mercado de celulose, altamente exportador, lucra com a valorização do dólar. Segundo a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), que congrega as companhias do setor, o volume de vendas externas de celulose atingiu 7,5 milhões de toneladas entre janeiro e agosto, 8,6% mais do que em igual período de 2014.

A receita em dólar subiu 2,3%, para US$ 5 bilhões – a grande diferença, porém, se dá quando o dinheiro entra no caixa das empresas, em real. O desastre do rompimento da barragem da mineradora Samarco, que tem a brasileira Vale e a anglo-australiana BHP Billiton como sócias, deixou pelo menos seis mortos. Mais de 20 pessoas ainda estão desaparecidas. Com a contaminação do Rio Doce, a distribuição de água potável de diversos municípios de Minas Gerais foi afetada. O rompimento da barragem também vai reduzir a produção da Vale no Estado em 2015 e 2016.

Efeitos: a paralisação não programada da Cenibra, mesmo que seja curta, pode recompor preços da celulose no mercado internacional e aumentar a procura por papéis de Suzano e Fibria.

Segundo o BTG Pactual, a fábrica da Cenibra representa 4% do mercado global de celulose fibra curta – no qual o Brasil é líder absoluto. Para fontes do setor, caso chuvas fortes atinjam a região nos próximos dias, o problema da contaminação do rio pode ser amenizado e a parada da Cenibra deve ser abreviada.

Segundo apurou a reportagem, estão previstas paralisações de manutenção em outras fábricas de celulose no País até o fim do ano, o que poderá ajudar a equilibrar os preços para o mercado chinês, que vinha reduzindo a demanda pelo produto.

Na avaliação de analistas, a interrupção do fornecimento de celulose da Cenibra desenha um cenário favorável à sustentação dos preços da celulose de fibra curta no mercado internacional, o que beneficiou o desempenho das ações de Fibria e Suzano Papel e Celulose na sessão de ontem da BM&FBovespa.

As ações ON da Fibria subiram quase 5%, para R$ 54,50 cada, e as PNA de Suzano ganharam 3,8%, para R$ 17,48. A contaminação do rio Doce com rejeitos oriundos da barragem da Samarco colocou mais de uma dezena de municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo em estado de alerta.

A Fibria disse não esperar que o acidente afete a operação capixaba, mas explicou que, diante de alguma eventualidade, pode recorrer a um reservatório de água capaz de manter a unidade em operação por 100 dias. De acordo com o relatório de sustentabilidade 2014 da companhia, a unidade de Aracruz captou uma média de 33,6 metros cúbicos de água por tonelada de celulose produzida no ano passado.

Fonte: Estado de São Paulo

◄ Leia outras notícias
/* */ --