Aumento do custo da atividade florestal no Brasil fica abaixo da taxa geral da inflação em 2020
Índice Nacional de Custos da Atividade Florestal (INCAF), elaborado pela Pöyry, acumulou alta de 2,9% no ano, ante uma inflação de 4,5% No quatro trimestre de 2020, mercado florestal confirmou a tendência de recuperação em meio a pandemia
Publicado em: 02/03/2021 às 20:00hs
A variação do Índice Nacional de Custos da Atividade Florestal (INCAF), em 2020, foi de 2,9%, bem abaixo da inflação no período, que foi de 4,5%, segundo o IPCA (Índice Nacional de Preço ao Consumidor Amplo). No quarto trimestre do ano passado, o INCAF subiu 1,3%, em comparação a uma inflação de 3,1%. Calculado pela Pöyry, empresa internacional de engenharia, projetos e consultoria, o INCAF monitora a evolução dos custos da atividade florestal no Brasil e é divulgado trimestralmente.
“A variação do INCAF, abaixo da inflação em 2020, é resultado, principalmente, da redução da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) e do preço de importação em dólares dos fertilizantes, o que compensou a depreciação do real e o aumento do preço dos combustíveis”, explica Dominique Duly, gerente de consultoria em Energia e Agroindústria da Pöyry no Brasil, ao acrescentar que a indústria florestal brasileira confirmou uma tendência de retomada dos negócios nos últimos três meses do ano.
De acordo com Dominique Duly, a evolução do INCAF no curto prazo nem sempre repercute nos preços de madeira pagos pelas indústrias, que dependem muito mais do balanço entre a oferta e a demanda ou de alguns fatores exógenos, como o dinamismo do mercado de construção norte-americano. “Ainda assim, é um importante termômetro que possibilita avaliar a rentabilidade dos produtores de madeira”, afirma.
Panorama do mercado florestal
No quatro trimestre de 2020, os preços da madeira de Pinus variaram entre aumento e estabilidade em todos os estados, e foram influenciados pelo aquecimento da atividade na construção civil nacional, pelo aumento da produção de móveis e pelas condições favoráveis para as exportações de compensados.
Na avaliação da Pöyry, a recuperação do mercado interno está ocorrendo devido a um conjunto de fatores de curto prazo, como a demanda reprimida no segundo trimestre de 2020, a adaptação das residências para a prática do home office e os investimentos em segurança dos trabalhadores nas empresas, combinados com um efeito de fatores de longo prazo, como o baixo nível das taxas de juros. “Já as exportações vêm se beneficiando da desvalorização do real frente ao dólar e também da retomada do mercado da construção civil norte-americano aos níveis pré-pandemia”, analisa Dominique Duly.
No mercado de madeira de eucalipto, a desvalorização da moeda brasileira permitiu a manutenção, em níveis recordes, das exportações de ferro gusa, o que favoreceu o aumento dos preços da madeira de processo no Polo Siderúrgico, em Minas Gerais. Nas outras regiões – Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo –, fatores locais influenciaram a variação de preços.
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Fonte: CELULOSE ONLINE
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