Gesso agrícola eleva volume inicial de eucalipto em até 65% em experimento em Minas Gerais
Estudo em Carbonita mostra resposta ao manejo do perfil do solo aos 12 meses; análise técnica é essencial para definir a necessidade do insumo em cada área
Publicado em: 09/10/2026 às 12:30hs
O manejo do perfil do solo pode influenciar o desenvolvimento inicial e a eficiência das florestas plantadas. Em um experimento com eucalipto realizado em Carbonita (MG), a aplicação de gesso agrícola em área total proporcionou volume de madeira 65% superior ao tratamento sem o insumo, aos 12 meses. Na aplicação em faixa sobre a linha de plantio, o ganho foi de 37%.
Os resultados foram obtidos em uma área que já havia recebido 3 toneladas de calcário por hectare. O estudo indica que, nas condições avaliadas, o manejo complementar das camadas subsuperficiais favoreceu o crescimento das árvores mesmo após a calagem.
Segundo Maurício Komori, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento de Mercado da Agronelli Soluções e especialista em Fertilidade do Solo e Nutrição de Plantas, a resposta deve ser interpretada dentro das características do experimento. Para ele, os dados reforçam a importância de avaliar o ambiente radicular desde a implantação da floresta.
Aplicação em área total apresentou maior volume de madeira
O experimento comparou duas formas de aplicação do gesso agrícola — em faixa sobre a linha de plantio e em área total — com um tratamento sem aplicação.
Aos 12 meses, o volume registrado foi de 11,7 m³ por hectare no tratamento sem gesso. Com aplicação em faixa, alcançou 16,06 m³ por hectare, enquanto o uso em área total resultou em 19,25 m³ por hectare.
Também foram identificadas diferenças estatísticas entre os tratamentos na circunferência e no diâmetro à altura do peito, parâmetros utilizados para acompanhar o crescimento das árvores.
Komori destaca que a correção prévia com calcário é um aspecto relevante para compreender os resultados.
“Isso mostra que, mesmo após a calagem, ainda podem existir limitações no perfil do solo que restringem o desenvolvimento das raízes. Quando essas limitações são corrigidas, o potencial de resposta das árvores pode ser bastante expressivo”, afirma.
Condições do solo na implantação repercutem durante anos
Diferentemente das culturas anuais, a produção florestal exige decisões que podem acompanhar a área por vários anos. Restrições ao crescimento das raízes no início do ciclo podem limitar o acesso à água e aos nutrientes durante o desenvolvimento das árvores.
“Na agricultura anual, o produtor tem uma nova oportunidade de ajustar o manejo a cada safra. Na silvicultura, a árvore permanecerá vários anos naquela área”, explica Komori.
Por isso, a avaliação precisa considerar também as camadas mais profundas. Segundo o especialista, baixos teores de cálcio e condições limitantes de alumínio podem dificultar a exploração do perfil pelas raízes, reduzindo o acesso a recursos importantes nos períodos de maior estresse.
O gesso agrícola é uma das ferramentas empregadas nesse manejo por fornecer cálcio e enxofre e favorecer o ambiente químico em camadas subsuperficiais. A necessidade de aplicação e a dose, entretanto, devem ser definidas com base em análise de solo e recomendação técnica.
Crescimento inicial pode contribuir para antecipar metas de produção
Na avaliação de Komori, melhorar as condições para o desenvolvimento radicular pode ampliar a eficiência no aproveitamento de água, nutrientes e insumos ao longo do ciclo.
O especialista também aponta a possibilidade de a floresta atingir mais rapidamente o volume de madeira desejado, contribuindo para antecipar o retorno do investimento. Essa perspectiva, porém, depende das condições da área e do desempenho das árvores durante o ciclo produtivo; os resultados apresentados no experimento correspondem à avaliação aos 12 meses.
Para a produção comercial, o planejamento deve relacionar crescimento, uniformidade e uso eficiente dos recursos ao objetivo econômico da floresta.
Brasil tem 8,1 milhões de hectares de eucalipto
A relevância do manejo ganha dimensão diante da escala da silvicultura nacional. Segundo dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), o Brasil possui 10,5 milhões de hectares de árvores plantadas, dos quais 8,1 milhões são ocupados por eucalipto.
Em 2024, a produtividade média nacional da cultura foi de 34,4 m³ por hectare ao ano, com resultados estaduais entre 20 e 41,3 m³ por hectare ao ano. A idade média considerada nesse cálculo foi de 6,8 anos.
A demanda industrial também reforça a importância da eficiência produtiva. Conforme a Ibá, a produção brasileira de celulose atingiu 29,4 milhões de toneladas em 2025, recorde e crescimento de 6,9% sobre o ano anterior.
Para Komori, identificar e corrigir limitações do solo antes ou no início do plantio integra a proteção do investimento florestal.
“Na silvicultura comercial, construir um bom perfil de solo é também uma forma de proteger o potencial produtivo daquele investimento”, conclui.
Fonte: Portal do Agronegócio
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