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Apesar da recessão dos últimos anos, é crescente o investimento em Geographic Information System (GIS) no agronegócio brasileiro. Considerada o alicerce para as demais tecnologias de alta produtividade, a inteligência espacial garante uma visão panorâmica e estratégica dos processos produtivos do campo e indústria, resultando em um melhor planejamento de uso e ocupação das áreas produtivas, otimização logística e trajetos, redução no uso de insumos e mais efetividade em sua aplicação, entre outros ganhos.

Na entrevista a seguir, Marlon Suenari, especialista em agronegócio da Imagem - Distribuidor Oficial ESRI Brasil e líder brasileira em Soluções de Inteligência Geográfica, detalha as possibilidades de aplicação do GIS em diferentes cenários do setor.

Dentro do agronegócio, quais são os segmentos que mais fazem uso da tecnologia?
O segmento Sucroenergético é o que demanda maior uso de tecnologia por causa de sua cadeia produtiva complexa, alto custo de manejo e colheita. Em seguida estão os segmentos Florestal, devido ao tamanho e abrangência das áreas cultivadas, e Grãos, por conta da constante necessidade de aumento da produtividade conforme demanda global.

Quais são as possibilidades de aplicação da tecnologia dentro do setor? Fala-se muito em gestão de equipes de campo. Realmente é assertiva nesta questão?
A tecnologia GIS está presente em todos os momentos de uma forma mais abrangente, desde o planejamento, otimizando o uso e ocupação do solo, passando por plantio, manejo e colheita. Costumamos dizer que toda vez que a variável “onde” aparece, o GIS está presente. Através do GIS temos uma melhor percepção das áreas produtivas (Qual tipo de solo? Microclima? Variedade mais adaptada? Entre outros) e uma parte disso tudo é gerenciar as equipes e atividades realizadas nessas áreas.

Quais são as principais vantagens de se investir em GIS? Quais os ganhos que a empresa pode obter?
A principal vantagem de se investir em GIS é conhecer e melhor utilizar os ativos disponíveis na empresa. Temos diversos exemplos disso como:
- Aumento da produtividade através do melhor planejamento de uso e ocupação das áreas produtivas existentes;
- Diminuição do gasto com combustível otimizando trajetos ou diminuindo a frota através da otimização logística;
- Redução do uso de insumos e mais efetividade na sua aplicação;
- Aumento da produtividade das equipes de campo, desempenhando mais atividades com qualidade sem aumentar o efetivo;
Esses são alguns dos principais ganhos, mas acredito que o principal é o uso da inteligência espacial para garantir uma visão panorâmica e estratégica dos processos produtivos do campo e indústria.

No contexto de agro, recomendam que o GIS seja “casado” com alguma outra tecnologia, por exemplo, drones? Há algo neste sentido já acontecendo na prática? Se sim, o que tem gerado de mudanças nos negócios?
As imagens de drones, assim como satélites ou outros sensores, produzem conteúdos inerentes a tecnologia GIS da mesma forma as informações climáticas e características do ambiente produtivo. Isso já é uma realidade e rotina de alguns segmentos. Mas quando falamos de empresas altamente competitivas, vemos que a integração dessas informações com as provenientes dos sistemas transacionais (ERP e Agroindustrial) tem alavancado o poder e velocidade na tomada de decisão realizando análises complexas que, somente através do GIS isso é possível.

Também verificamos a questão do GIS 3D e no uso da realidade aumentada neste segmento. É algo que também está acontecendo na prática? Como essas novas realidades podem trazer ganhos para os negócios e o setor como um todo?
Algumas empresas tem utilizado de forma embrionária, mas enxergam grande potencial no uso dessas tecnologias. Como o campo é uma indústria a céu aberto, onde existem diversas variáveis que impactam diretamente na produtividade, o uso do GIS 3D possibilita enxergar e analisar tudo isso de forma mais rápida e abrangente. O mesmo com relação à Realidade Aumentada, que pode ser usada tanto para identificar áreas produtivas e questões relativas as mesmas, quanto para emergências, como localizar pontos de risco ou ainda uma equipe cercada por um incêndio.

Outro ponto interessante e discutido na atualidade é a questão da agricultura de precisão/geoestatística, ou seja, análise de dados de amostras georreferenciadas. Do que se trata?
São questões complementares. Para que o produtor possa fazer uso da agricultura de precisão, diversas análises, por exemplo, do solo, são realizadas constantemente. Para realizar tais análises, ele faz uso da geoestatística quando definiu os locais, número de amostras, posteriormente interpola as análises, gera a recomendação agronômica e faz a aplicação conforme necessário através de equipamentos de precisão.

Como você avalia a transformação digital no setor agro brasileiro em comparação a outros países? O Brasil tem acompanhado as principais tendências mundiais?
Com relação à transformação digital, vejo que ainda estamos um pouco atrás de países mais avançados tecnologicamente. Não pela disponibilidade da tecnologia, pois muito do que existe em outros países temos também no Brasil e, em alguns casos, fazemos o movimento contrário, exportamos. Mas o custo, a dificuldade com infraestrutura de comunicação e, até mesmo, o receio da mudança são os principais vilões e causadores de uma transformação mais lenta.

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