Publicado em: 15/08/2024 às 11:40hs
Neste mês, o programa RenovaPR, do governo do Paraná, celebra três anos de sucesso. Implementado pelo IDR-Paraná, o programa tem como objetivo incentivar os produtores rurais a gerar sua própria energia ou combustível, integrando-os ao processo de transição energética e contribuindo para a redução de seus custos operacionais. O estado subsidia os juros dos empréstimos necessários para a implementação de projetos de energia renovável, resultando em uma significativa adesão ao programa. O Paraná já se destaca como o estado com a maior potência média por unidade instalada entre os estados das regiões Sul e Sudeste, com 21,83 kW, superando São Paulo (21,61 kW), Minas Gerais (20,13 kW), Santa Catarina (17,29 kW) e Rio Grande do Sul (12,72 kW), segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Desde agosto de 2021, o RenovaPR estimulou investimentos de R$ 4,2 bilhões em 34.485 projetos de energia renovável no estado.
De acordo com Herlon Goelzer de Almeida, coordenador estadual do RenovaPR, o programa aproveita resíduos que antes eram considerados problemas ambientais. "O Paraná possui uma significativa produção de proteína animal, cujos resíduos – como dejetos, gorduras, ossos e vísceras – podem ser transformados em biogás. O estado também conta com o setor sucroalcooleiro, que fornece material orgânico, entre outros. Nossa base produtiva é uma grande geradora de biomassa, fonte essencial de energia limpa e sustentável. Precisamos aproveitar essa força energética", enfatiza Almeida.
Para viabilizar o RenovaPR, o IDR-Paraná treinou, ao longo dos últimos três anos, 796 técnicos, com o apoio do Sistema Faep/Senar e do Cibiogás (Centro Internacional de Energias Renováveis). Esses profissionais atuam em todo o estado, auxiliando produtores interessados em implementar projetos de geração de energia renovável. Além disso, o Instituto, em parceria com sindicatos rurais e agentes financeiros, realizou mais de 1.200 ações de promoção do RenovaPR – como reuniões técnicas, seminários regionais e participação em feiras e exposições – para ampliar a adesão ao programa.
Atualmente, o Paraná conta com 34.485 ligações rurais em geração distribuída, das quais 28.346 (82,2%) foram realizadas nos últimos três anos. Esse crescimento reflete a eficácia da divulgação das vantagens das energias renováveis pelo RenovaPR. A Aneel também aponta que a participação do setor rural na geração distribuída saltou de 6% em 2017 para 15% no ano passado.
Outro atrativo para os produtores é a redução dos custos de instalação dos projetos de energia renovável nos últimos anos. Em 2016, o custo era de R$ 8,77 por watt-pico (capacidade máxima de geração do projeto). Já em janeiro deste ano, o valor caiu para R$ 3,17. O tempo de retorno do investimento também diminuiu, passando de 4,4 anos em 2023 para 3,3 anos em média neste ano.
Herlon Goelzer de Almeida ressalta que, diante do crescimento no uso de energias renováveis, é necessário que as autoridades adotem novas políticas públicas focadas no biogás e no biometano. Ele destaca a importância de incentivar a Copel e outras distribuidoras a adotarem a geração elétrica a partir do biogás, além de apoiar os municípios na reconversão ou compra de veículos movidos a biogás. Outra medida importante seria a conversão de motores de caminhões, ônibus e vans para o uso de biogás, especialmente no transporte escolar, urbano e em táxis.
Almeida acredita que o uso de energias renováveis deve se expandir para outros segmentos do agronegócio. Ele sugere, por exemplo, que cooperativas e integradoras substituam totalmente a lenha, o GLP e o diesel pelo biogás. Além disso, é necessário incentivar o setor industrial a consumir biometano. O coordenador do RenovaPR também propõe que projetos em aterros sanitários para geração de biogás e biometano sejam beneficiados com juros subsidiados.
Nos três anos de existência do RenovaPR, o governo investiu R$ 230 milhões na subvenção de juros para projetos instalados, tornando a tecnologia mais acessível. Os investimentos em energias renováveis são considerados fundamentais para aumentar a empregabilidade e a competitividade dos produtores, além de fortalecer as cadeias de produção de proteínas animais e agroindústrias do Paraná.
Fonte: Portal do Agronegócio
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