Publicado em: 14/11/2025 às 10:20hs
Durante a COP30, realizada na Amazônia, o Brasil reforça sua posição de destaque na agenda global de sustentabilidade. O estado do Pará, anfitrião da conferência, é exemplo dessa liderança, com a produção de palma de óleo se destacando como uma alternativa de desenvolvimento sustentável.
Tradicionalmente associada ao desmatamento em países do Sudeste Asiático, a cultura da palma ganhou novos contornos no Brasil. Aqui, a maior parte das plantações foi implantada em áreas já desmatadas, contribuindo para a recuperação de solos degradados e o fortalecimento da economia local.
Um dos principais exemplos dessa transformação é a Agropalma, empresa brasileira reconhecida mundialmente pela produção sustentável de óleo de palma. Com mais de 40 anos de atuação na região, a companhia demonstra que é possível aliar cultivo agrícola, conservação ambiental e desenvolvimento social.
A Agropalma adota há duas décadas um modelo de negócio baseado em três pilares: uso de áreas já antropizadas, proteção de florestas e biodiversidade e promoção do desenvolvimento socioambiental.
Com uma produção anual de cerca de 200 mil toneladas de óleo, a empresa opera sob o princípio de que produção e preservação caminham juntas. Segundo Túlio Dias Brito, diretor de Sustentabilidade da companhia, o exemplo do Pará mostra que a palma pode ser um instrumento de restauração ambiental e de estímulo à bioeconomia local.
“A palma, quando cultivada com base em ciência, governança e inclusão social, é uma ferramenta poderosa de restauração e geração de prosperidade sem destruir a floresta”, destaca Brito.
Desde 2002, a Agropalma mantém uma política de desmatamento zero, alinhada à meta brasileira de zerar o desmatamento até 2030. A empresa protege 64 mil hectares de florestas nativas, o equivalente a 60% de suas terras, área superior à destinada ao cultivo.
O Programa de Proteção de Florestas é complementado por uma parceria de mais de 18 anos com a Conservation International (CI). Essa cooperação monitora a biodiversidade e já auxiliou na preservação de mais de mil espécies, incluindo 40 ameaçadas de extinção. Somente nessa área, a empresa investe R$ 2 milhões anuais.
O cultivo da palma de óleo também tem papel relevante na mitigação das emissões de carbono. Cada hectare é capaz de absorver 6,32 toneladas de CO₂ equivalente por ano, chegando a 158 toneladas por hectare durante os 25 anos de vida produtiva da planta.
As palmeiras ainda ajudam a proteger as bordas das florestas, minimizando o chamado efeito de borda, que torna as matas mais vulneráveis a incêndios e degradação. Além disso, a empresa adota práticas de manejo sustentável, como o cultivo de espécies nectaríferas e leguminosas entre as palmeiras, o que melhora a qualidade do solo e reduz o uso de insumos químicos.
“Cada hectare protegido é um ativo ecossistêmico. Nossas plantações ajudam a regenerar o solo e a proteger a floresta”, explica Brito.
Comprometida com a redução do uso de combustíveis fósseis, a Agropalma reativou sua planta de biodiesel em Belém, com capacidade para 19 milhões de litros anuais. A iniciativa deve evitar a emissão de 39 mil toneladas de CO₂eq por ano.
Outras ações reforçam essa agenda verde: a substituição do combustível das caldeiras por biomassa na refinaria de Limeira (SP) reduziu em 13 mil toneladas as emissões anuais de CO₂, enquanto a instalação de painéis solares gera economia superior a 10 mil kWh mensais.
No campo social, a Agropalma lidera o Programa de Agricultura Familiar e Integrada, criado em parceria com o Governo do Pará em 2002. O projeto envolve 505 produtores rurais — sendo 439 agricultores familiares — responsáveis por 23% da matéria-prima processada pela empresa.
A renda das famílias participantes aumentou 528% desde o início da iniciativa, evidenciando o impacto positivo da integração entre produção e desenvolvimento social.
Essas ações estão reunidas no Programa SOMAR, lançado em 2023 com o apoio da Earthworm Foundation (EF). O programa já beneficiou mais de 10 mil pessoas em 34 comunidades amazônicas, com projetos nas áreas de educação, saúde, infraestrutura e bem-estar.
“Nosso papel é provar que é possível gerar valor e conservar a floresta. Produzimos mantendo a natureza viva, e não à custa dela”, conclui Brito.
Fonte: Portal do Agronegócio
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