Publicado em: 22/04/2026 às 10:20hs
O Brasil alcançou, em 2025, a marca de 1.803 plantas de biogás cadastradas, com produção próxima de 5 bilhões de Nm³ por ano, consolidando um ciclo consistente de expansão do setor. Os dados fazem parte do Panorama do Biogás no Brasil 2025, lançado em 15 de abril durante o 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, em Foz do Iguaçu (PR).
Elaborado pelo Centro Internacional de Energias Renováveis – Biogás (CIBiogás), o levantamento aponta crescimento de 5% no número de unidades e 6% no volume produzido em relação ao ano anterior, indicando não apenas expansão, mas também ganhos de escala e eficiência operacional.
Segundo o diretor-presidente do CIBiogás, Felipe Souza Marques, o setor passa por uma transformação estrutural. Embora o ritmo de entrada de novas plantas tenha desacelerado, as unidades atuais apresentam maior capacidade produtiva.
Esse movimento reflete avanços tecnológicos e a adoção de modelos de negócios mais robustos, contribuindo para o amadurecimento do mercado de biogás no país.
A diversificação no uso energético do biogás reforça a maturidade do setor. Atualmente:
O biometano ganha protagonismo por sua inserção nos mercados de gás e transporte, especialmente em projetos de maior escala, indicando uma transição gradual para aplicações mais sofisticadas e comercialmente viáveis.
De acordo com a diretora técnica do CIBiogás, Daiana Gotardo Martinez, o crescimento do setor abre espaço para novas rotas tecnológicas.
O biogás passa a ser visto não apenas como solução energética ou de gestão de resíduos, mas como fornecedor de moléculas renováveis, com potencial para produção de:
Esse movimento posiciona o Brasil alinhado às tendências globais de descarbonização e transição energética.
O levantamento mostra forte concentração geográfica da produção:
Outros estados relevantes incluem Pernambuco, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Ceará e Espírito Santo.
Apesar da concentração, estados como Paraná e Minas Gerais registram crescimento acima da média nacional, enquanto regiões Norte e Nordeste ainda apresentam baixo aproveitamento do potencial disponível.
A concentração da produção reforça a necessidade de políticas públicas e investimentos para ampliar a presença do setor em novas regiões, especialmente onde há grande disponibilidade de resíduos agroindustriais e urbanos.
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) já articula iniciativas voltadas à expansão nas regiões Norte e Nordeste, em parceria com instituições de pesquisa e outros órgãos governamentais.
O biometano apresentou, em 2025, a maior taxa de crescimento já registrada no país. A tendência deve continuar em 2026, impulsionada por:
Por ser um biocombustível regulado, o biometano tem forte vocação comercial, com destaque para o uso no transporte veicular.
O ambiente regulatório também evolui com a Lei do Combustível do Futuro (14.993/2024), que criou diretrizes para o desenvolvimento do mercado, incluindo:
Essas medidas fortalecem a integração do biometano com o mercado de combustíveis renováveis.
Para o MCTI, o avanço do setor depende da qualidade das informações disponíveis. O Panorama do Biogás se consolida como uma ferramenta estratégica para orientar:
A Associação Brasileira do Biogás (ABiogás) destaca que o levantamento reduz a assimetria de informações e melhora a tomada de decisão no mercado.
Além disso, está em desenvolvimento uma plataforma digital que permitirá acompanhar dados em tempo real sobre produção, capacidade instalada e impactos de descarbonização.
Em sua oitava edição, o Panorama do Biogás no Brasil apresenta novidades:
O documento reforça sua posição como principal referência nacional em inteligência de mercado do setor.
Durante a mesma semana do lançamento, foi reinaugurada a Unidade de Demonstração de Biocombustíveis da Itaipu, em Foz do Iguaçu (PR), resultado de parceria com o CIBiogás.
A estrutura passou por modernização e agora conta com:
Desde 2017, a unidade já processou mais de 720 toneladas de resíduos orgânicos, gerando biometano suficiente para percorrer cerca de 480 mil quilômetros.
Biogás ganha papel estratégico na transição energética
Mais do que uma fonte de energia, o biogás passa a integrar cadeias produtivas complexas, como a indústria química e a aviação, contribuindo para:
Com avanços tecnológicos, regulatórios e de mercado, o setor se posiciona como um dos pilares da bioeconomia brasileira nos próximos anos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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