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BP vai estrear em geração solar no Brasil em 2023

BP tem como meta elevar em 20 vezes a capacidade de geração renovável até 2030, para 50 gigawatts


Publicado em: 02/02/2022 às 12:20hs

BP vai estrear em geração solar no Brasil em 2023

A BP, uma das maiores petroleiras globais, tem planos de investir entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões por ano no mundo até 2025, em negócios de baixo carbono, e colocou o Brasil na rota da expansão da companhia em renováveis. A multinacional espera acelerar o crescimento no mercado brasileiro nos próximos anos e se prepara para estrear na geração solar, em 2023. A companhia também tem planos de entrar no negócio de biogás.

Em paralelo, a petroleira britânica começa o ano em busca de descobertas de petróleo e gás natural no Brasil e traça planos de expansão também para a área de geração a gás. Sócia da GNA (Gás Natural Açu), responsável pelo parque termelétrico do Porto do Açu, em São João da Barra (RJ), a BP quer replicar o modelo e criar um polo de gás, associado à geração de energia, também no Ceará.

BP tem como meta elevar em 20 vezes a capacidade de geração renovável até 2030, para 50 gigawatts

Este mês, a BP assinou um memorando de entendimento com o governo cearense com o objetivo de explorar oportunidades em torno de uma potencial implantação de um polo de gás no Porto do Pecém. A ideia é construir um terminal de importação de gás natural liquefeito (GNL), associado a um projeto termelétrico de 2,2 gigawatts (GW). O presidente da BP no Brasil, Mario Lindenhayn, disse que o projeto termelétrico no Ceará já está "todo desenhado".

"Temos leilões [de energia nova] previstos para este ano e estaremos atentos a eles para encontrar oportunidades de participar [com a termelétrica em Pecém]", afirmou o executivo ao Valor.

No Açu, a multinacional tem uma fatia de 17% na termelétrica GNA I (1,3 GW), em operação desde setembro, e 21% na GNA II (1,6 GW), cujas obras começam este ano. O complexo envolve investimentos de US$ 5 bilhões por parte dos sócios (BP/ Prumo / Siemens / SPIC). A exemplo do projeto do Açu, a BP pretende atuar como fornecedora exclusiva de GNL para a nova térmica do Pecém. A britânica vê potencial também para venda de gás para as usinas existentes no Ceará.

O segmento de gás é visto como vetor de crescimento da BP na transição energética. Em 2020, a companhia lançou novo plano estratégico que propõe transformar a petroleira numa empresa integrada de energia. Até 2025, o plano é direcionar entre 18% e 28% do investimento total para negócios de baixo carbono (eólica, solar, biocombustíveis, hidrogênio e captura e armazenamento de carbono). Isso representa de US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões ao ano. A ideia é que, até 2025, esses patamares subam para US$ 5 bilhões anual, dez vezes mais que os níveis de 2020. A empresa não abre quanto do total irá para o Brasil.

A BP traçou como meta, para 2030, aumentar em vinte vezes a capacidade de geração renovável, para 50 GW; ampliar em 4,5 vezes a produção de bioenergia (como biocombustíveis), para 100 mil barris/dia; e, ao mesmo tempo, reduzir em 40% a produção de óleo e gás, para 1,5 milhão de barris/dia.

"Nosso objetivo é ter um portfólio de energias bastante diferente do que tínhamos no passado. Esse é um grande passo. E o Brasil foi definido como um dos países estratégicos. Primeiro, naturalmente, pelas condições e recursos que o pais oferece, mas, no nosso entendimento, o crescimento da demanda por energia no Brasil até 2050 é superior ao da demanda mundial. Nossa projeção de crescimento [da demanda brasileira] é de 2,2 vezes a atual. Isso é muito relevante", comentou Lindenhayn.

A BP possui dois vetores de expansão em renováveis no Brasil: a solar, via joint venture Lightsource BP; e a produção de etanol, a partir da BP Bunge Bioenergia.

A Lightsource BP prevê investir R$ 1,6 bilhão nas duas primeiras usinas solares no Brasil, em Icó e Milagres (CE). A companhia começou as obras de Milagres, cuja operação comercial está prevista para 2023 e marcará a estreia da empresa como geradora de energia solar no país. Os dois ativos somam 475 megawatts (MW). Os dois parques fazem parte da carteira de 1,5 GW que a Lightsource BP tem em projetos no Brasil. A empresa mira a expansão para outros Estados.

O executivo comentou que a BP ainda pretende se posicionar em energia eólica no Brasil. "Mas é importante que os projetos existentes avancem e tenhamos sucesso, para que, com isso, consigamos criar um ciclo positivo de investimentos", afirmou. No setor de biocombustíveis, a joint venture com a Bunge é a segunda maior produtora sucroalcooleira do país. Passado um primeiro momento de integração dos ativos, após a formação da parceria em 2019, o plano agora é apostar em novos negócios, como o biogás - oriundo da biodigestão de matéria orgânica de resíduos e subprodutos, como a vinhaça.

Sem um barril de petróleo produzido no Brasil, atualmente mais de 80% das receitas da BP no país vêm dos negócios de renováveis. A petroleira também tem, no país, ativos de distribuição de combustíveis de aviação e marítimo; lubrificantes (Castrol); comercialização de energia; tancagem e logística de combustíveis (Opla).

Lindenhayn conta que a empresa também mantém a busca por novas descobertas de óleo e gás no Brasil. A petroleira participa neste momento, por exemplo, da perfuração de um poço em Alto de Cabo Frio Central, no pré-sal da Bacia de Campos. A empresa tem 50% do ativo, operado pela Petrobras.

"O petróleo continua fazendo parte do nosso portfólio, com peso menor que no passado, mas em qualquer cenário, do moderado ao mais agressivo [da transição energética], a demanda por petróleo ainda será muito grande no futuro. Temos oportunidades de exploração no Brasil e vamos continuar [a investir nelas]", afirmou.

Em dezembro, a BP não participou do leilão de Sépia e Atapu, no pré-sal. "Quando se faz um compromisso de alocar parte relevante dos investimentos em renováveis, tem que se fazer escolhas", justifica Lindenhayn.

Fonte: AGÊNCIA UDOP

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