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Alta oferta e menor demanda por biocombustíveis devem pressionar preços do óleo de palma em 2026

Produção robusta no Sudeste Asiático e desaceleração nas compras globais podem manter o mercado do óleo de palma em patamares mais baixos ao longo do ano


Publicado em: 19/01/2026 às 11:25hs

Alta oferta e menor demanda por biocombustíveis devem pressionar preços do óleo de palma em 2026
Expectativa de queda nas cotações reflete equilíbrio entre oferta robusta e demanda limitada

O mercado global de óleo de palma deve registrar leve recuo nos preços médios em 2026, impulsionado por uma oferta elevada dos principais produtores e pela redução da demanda por biocombustíveis. Segundo levantamento da Reuters com 14 analistas, operadores e representantes do setor, o preço de referência do óleo de palma bruto (CPO) da Malásia deve atingir média de 4.125 ringgit por tonelada, uma queda de 2,55% em relação à média de 2025.

Indonésia mantém mistura B40 e adia avanço para B50

A Indonésia, maior produtora e exportadora mundial de óleo de palma, havia planejado ampliar a obrigatoriedade da mistura de biodiesel de B40 (40% de óleo de palma) para B50, mas o governo de Jacarta suspendeu o plano no início de 2026. A decisão foi motivada por limitações técnicas e financeiras, o que reduziu as projeções de consumo interno do produto.

Segundo um negociante de Nova Délhi, o mercado apostava em um aumento de preços com a expectativa de maior demanda pela mistura B50. “Como essa expansão não deve ocorrer, o foco voltou para o aumento dos estoques e da oferta”, explicou o trader.

Produção recorde na Indonésia e estoques elevados na Malásia

O cenário de preços mais baixos é reforçado pela produção expressiva nos dois maiores produtores mundiais. A Associação de Óleo de Palma da Indonésia (GAPKI) projeta que o país produza 51,2 milhões de toneladas em 2026, crescimento de 0,39% sobre o recorde de 51 milhões de toneladas em 2025.

O presidente da entidade, Eddy Martono, afirma que o avanço deve ocorrer com o início da colheita de áreas replantadas e condições climáticas favoráveis. Já a Malásia, segundo maior produtor, deve registrar leve retração na produção, estimada em 19,75 milhões de toneladas, queda de 2,61% em relação ao recorde de 20,28 milhões de toneladas do ano anterior. Apesar disso, o volume permanece acima da média histórica dos últimos dez anos.

Clima e políticas globais devem ditar o ritmo do mercado

De acordo com Anilkumar Bagani, chefe de pesquisa da corretora indiana Sunvin Group, a volatilidade dos preços no primeiro semestre de 2026 dependerá de três fatores principais: condições climáticas no Sudeste Asiático, políticas de biocombustíveis nos Estados Unidos e o desempenho da safra de soja na América do Sul.

Mesmo com a pressão de baixa, o óleo de palma voltou a ganhar competitividade frente ao óleo de soja desde meados de 2025, o que pode sustentar as cotações, segundo Roslin Azmy Hassan, presidente-executivo da Associação de Óleo de Palma da Malásia.

Estoques elevados mantêm oferta confortável

O aumento da produção e a demanda mais fraca devem manter os estoques elevados na Malásia, com projeção de crescimento de 1,7 milhão de toneladas em 2025 para 3,05 milhões em 2026 — o maior volume em quase sete anos.

Com a oferta mais abundante e o consumo industrial moderado, os especialistas avaliam que o mercado deve permanecer equilibrado, porém com tendência baixista ao longo de 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

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