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Etanol

Usinas de etanol de cana investem no milho para produzir na entressafra e diluir custos

Aplus desenvolve projetos para Atvos e Aroeira e negocia outros cinco no Sudeste; integração permite aproveitar infraestrutura e ampliar receitas com DDG e óleo de milho


Publicado em: 02/10/2026 às 15:00hs

Usinas de etanol de cana investem no milho para produzir na entressafra e diluir custos

Usinas de etanol de cana-de-açúcar estão investindo em unidades de processamento de milho para ampliar a operação durante a entressafra. A estratégia busca reduzir a ociosidade industrial, diluir custos fixos e manter receitas ao longo do ano, aproveitando estruturas já existentes.

A Aplus, empresa de projetos de engenharia para biocombustíveis, informa que tem dois contratos em andamento, com Atvos e Aroeira, além de outros cinco em negociação na Região Sudeste. Os nomes das empresas envolvidas nessas negociações permanecem sob sigilo.

Segundo Alessandro Salvador, sócio-fundador e diretor comercial da Aplus, a complementaridade entre cana e milho é um dos principais fatores que impulsionam os investimentos em usinas híbridas.

Milho permite ampliar operação durante a entressafra da cana

A produção de etanol de cana depende do calendário de colheita, pois a matéria-prima precisa ser processada logo após ser retirada do campo. Essa característica concentra a atividade industrial no período de safra.

O milho, por sua vez, pode ser armazenado, permitindo que as unidades produtoras de etanol operem durante todo o ano. Sua incorporação às usinas de cana abre espaço para um aproveitamento maior da estrutura administrativa, dos laboratórios e das instalações de armazenamento.

A integração também envolve a disponibilidade de biomassa. O bagaço gerado no processamento da cana é utilizado nas caldeiras para produzir energia e vapor. Segundo Salvador, o excedente costuma ser comercializado, inclusive para unidades de etanol de milho, a preços elevados.

Infraestrutura existente pode reduzir investimento na expansão

Outro atrativo apontado pelo executivo é a possibilidade de aproveitar parte da infraestrutura já instalada, reduzindo o investimento necessário para ampliar a produção.

Como exemplo, Salvador cita um projeto de um cliente no qual uma nova planta de etanol construída do zero demandou cerca de R$ 1,4 bilhão. Posteriormente, uma unidade de etanol de milho instalada ao lado custou aproximadamente R$ 900 milhões.

Os valores correspondem ao caso relatado pelo empresário e ilustram o potencial de economia com o compartilhamento de estruturas. Entre as empresas que já adotam a combinação de cana e milho estão Cerradinho, São Martinho e Coprodia.

DDG e óleo de milho ampliam fontes de receita

Além do etanol, o processamento do milho gera produtos como o DDG, utilizado na alimentação animal, e o óleo de milho. Para Salvador, essas fontes adicionais de receita, combinadas à operação ao longo do ano, contribuem para aumentar a estabilidade financeira e a rentabilidade das usinas.

O modelo permite, assim, diversificar os produtos comercializados e distribuir melhor o uso da infraestrutura entre os períodos de safra e entressafra da cana.

Atvos e Aroeira avançam com novas unidades

Na Aroeira, o contrato com a Aplus contempla o projeto de engenharia detalhado de uma unidade de etanol de milho, incluindo as obras civis e a planta industrial. A instalação será construída ao lado da usina de cana, permitindo ampliar a operação para todo o ano.

A Atvos segue uma estratégia semelhante. A Aplus participa do projeto de engenharia de uma nova unidade que também será instalada junto à estrutura existente, integrando o processamento de milho à produção de etanol de cana-de-açúcar.

Fonte: Portal do Agronegócio

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