Publicado em: 29/06/2026 às 11:45hs
O mercado brasileiro de combustíveis atravessa um cenário favorável para a expansão do etanol. A expectativa de uma safra recorde, impulsionada tanto pela produção de cana-de-açúcar quanto pelo avanço do etanol de milho, aliada à maior competitividade em relação à gasolina, fortalece as perspectivas de crescimento do biocombustível no abastecimento nacional.
Mesmo diante das oscilações provocadas pelo cenário geopolítico internacional, o etanol manteve trajetória oposta à da gasolina. Desde o início da crise no mercado global de energia, a gasolina acumulou alta de 5,4% ao consumidor brasileiro, enquanto o etanol apresentou redução de 24% no preço pago ao produtor e queda de 11% nas bombas.
Esse movimento tornou o biocombustível ainda mais atrativo para os motoristas. A paridade entre etanol e gasolina — principal indicador utilizado para avaliar a vantagem econômica entre os combustíveis — permanece próxima de 60% nos principais mercados do país, percentual considerado altamente competitivo para veículos flex.
Segundo Martinho Seiiti Ono, CEO da SCA Brasil, os preços atuais favorecem o aumento do consumo. A tendência, no entanto, é de que a oferta cresça ainda mais ao longo da safra, exercendo pressão sobre as cotações e ampliando a competitividade do etanol.
A produção nacional deverá alcançar um novo recorde, impulsionada pela expansão da indústria do etanol de milho. Novas unidades industriais em operação devem acrescentar mais de 2 bilhões de litros à oferta brasileira, aumentando a disponibilidade do combustível e fortalecendo o abastecimento interno.
Além dos benefícios econômicos, o crescimento da participação do etanol contribui para reduzir a dependência brasileira dos combustíveis fósseis. Atualmente, considerando a mistura obrigatória de etanol anidro à gasolina e o consumo de etanol hidratado pelos veículos flex, mais da metade do combustível utilizado pelos automóveis com ciclo Otto já é composta por etanol.
Na avaliação de Martinho Ono, esse cenário reforça a segurança energética do país e reduz a necessidade de importação de derivados de petróleo.
Outro fator que poderá acelerar a expansão do setor é a possível aprovação da mistura E32, que eleva para 32% a participação do etanol anidro na gasolina.
Caso a medida seja implementada, a expectativa é de uma demanda adicional entre 600 milhões e 1 bilhão de litros de etanol por ano. Segundo o executivo, o aumento da mistura fortalece toda a cadeia produtiva, reduz a necessidade de importações de gasolina, melhora a competitividade do combustível ao consumidor e ainda gera impactos positivos para a balança comercial brasileira.
Com oferta crescente, preços mais competitivos e maior participação na matriz energética, o etanol consolida seu papel estratégico como um dos principais pilares da transição para uma mobilidade mais sustentável e da segurança energética nacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
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