Publicado em: 09/06/2026 às 18:00hs
A indústria sucroenergética do Nordeste encerra a safra 2025/26 com uma mudança importante no perfil de produção. Mesmo com a redução da moagem de cana-de-açúcar, as usinas ampliaram a fabricação de etanol e reduziram a participação do açúcar no mix industrial, refletindo as condições de mercado e as estratégias adotadas pelo setor ao longo do ciclo.
Levantamento da Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio) aponta que a moagem de cana na região alcançou 48,96 milhões de toneladas até 30 de abril de 2026, volume 1,4% inferior ao registrado no mesmo período da safra anterior, quando foram processadas 49,67 milhões de toneladas.
Com cerca de 94,4% da safra concluída, os números consolidam uma tendência observada ao longo da temporada: maior direcionamento da matéria-prima para a produção de etanol.
Apesar da menor oferta de cana processada, a produção total de etanol no Nordeste cresceu 6,2% em relação à safra passada, atingindo 1,86 milhão de metros cúbicos.
O principal destaque foi o etanol anidro, utilizado na mistura obrigatória à gasolina, cuja produção avançou expressivos 20,2%, chegando a 637,1 mil metros cúbicos.
Já o etanol hidratado apresentou estabilidade, registrando leve alta de 0,1% e totalizando 1,225 milhão de metros cúbicos produzidos no período.
O desempenho reforça a crescente importância dos biocombustíveis na estratégia das usinas nordestinas, que passaram a destinar uma parcela maior da cana para a produção de etanol.
Na direção oposta, a fabricação de açúcar apresentou retração significativa.
Segundo a NovaBio, a produção nordestina do adoçante totalizou 2,92 milhões de toneladas até abril, representando queda de 16,8% em comparação com a safra 2024/25.
Entre os fatores que influenciaram essa mudança estão a redução dos preços internacionais do açúcar, as incertezas relacionadas às cotas de exportação para os Estados Unidos e as alterações no cenário global de comércio da commodity.
Além disso, o avanço da demanda por combustíveis renováveis e a busca por maior rentabilidade estimularam as usinas a priorizarem a fabricação de etanol.
A mudança de estratégia ficou evidente na composição do mix industrial do setor sucroenergético nordestino.
Enquanto na safra anterior o açúcar absorvia 54,28% da matéria-prima processada, nesta temporada sua participação caiu para 48,16%.
Por outro lado, o etanol ampliou sua fatia de 45,72% para 51,84%, tornando-se o principal destino da cana-de-açúcar processada na região.
A alteração demonstra uma readequação das usinas diante das oportunidades de mercado e das perspectivas para o setor de biocombustíveis.
Outro indicador que apresentou desempenho inferior foi o Açúcar Total Recuperável (ATR), principal parâmetro utilizado para medir a qualidade da cana-de-açúcar e o potencial de produção de açúcar e etanol.
De acordo com o levantamento, o ATR registrou queda de 6,2% na safra 2025/26 no Nordeste, refletindo desafios enfrentados ao longo do ciclo produtivo.
Nas áreas classificadas pela NovaBio como região Norte — que incluem estados como Ceará, Maranhão e Piauí, além dos estados tradicionalmente pertencentes à região Norte do país — a moagem de cana também apresentou retração.
Até o final de abril, foram processadas 6,9 milhões de toneladas, volume 5,5% inferior ao registrado na safra anterior, quando a moagem havia alcançado 7,3 milhões de toneladas.
Considerando os dados consolidados das duas regiões, a moagem acumulada atingiu 55,93 milhões de toneladas de cana-de-açúcar até 30 de abril de 2026, representando queda de 2% frente às 57,05 milhões de toneladas processadas na temporada anterior.
A produção de açúcar totalizou 3,14 milhões de toneladas, retração de 15,8%, enquanto a fabricação de etanol cresceu 2%, alcançando 2,28 milhões de metros cúbicos.
Assim como ocorreu no Nordeste, o mix industrial das unidades do Norte também passou por mudanças. A participação do etanol aumentou de 50,38% para 55,20%, enquanto a do açúcar recuou de 49,62% para 44,80%.
Os números da safra 2025/26 evidenciam uma mudança gradual na estratégia das usinas das regiões Norte e Nordeste, que vêm ampliando a participação dos biocombustíveis em suas operações.
Mesmo diante da redução da moagem e da queda nos indicadores de qualidade da matéria-prima, o crescimento da produção de etanol demonstra a capacidade de adaptação do setor às condições de mercado, fortalecendo o papel do biocombustível na matriz energética brasileira e nas receitas da indústria sucroenergética.
Fonte: Portal do Agronegócio
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