Etanol

Expansão do etanol no Brasil pressiona mercado e desafia equilíbrio entre oferta e demanda

Produção cresce aceleradamente, mas especialistas alertam para superoferta estrutural e impacto nos preços enquanto Banco Central sinaliza possível corte de juros ainda em 2026


Publicado em: 30/01/2026 às 10:50hs

Expansão do etanol no Brasil pressiona mercado e desafia equilíbrio entre oferta e demanda

A rápida expansão da produção de etanol no Brasil segue mudando a dinâmica do setor sucroenergético e despertando alertas sobre um possível desequilíbrio entre oferta e demanda nos próximos anos. Produtores, investidores e analistas monitoram o cenário com atenção, principalmente diante das recentes sinalizações do Banco Central do Brasil (BCB) sobre política monetária.

Crescimento acelerado da produção e risco de superoferta

O Brasil vem ampliando rapidamente a capacidade de produção de etanol, com destaque para o etanol de milho, contribuindo para um aumento expressivo da oferta. Especialistas alertam que a expansão pode superar o ritmo de crescimento da demanda, gerando pressão sobre os preços nos próximos ciclos produtivos.

O Rabobank aponta que, mesmo com continuidade dos investimentos, a absorção do mercado interno e internacional pode não acompanhar a velocidade de expansão, criando um cenário de superoferta estrutural.

Demanda interna e externa ainda limitada

A procura por etanol no Brasil está ligada a fatores como consumo automotivo, metas de mistura obrigatória e interesse em combustíveis sustentáveis para aviação e transporte marítimo. No entanto, essas alternativas de maior absorção ainda estão projetadas para o longo prazo, especialmente entre 2029 e 2030, o que limita a compensação imediata frente à produção crescente de etanol de milho.

O setor precisa equilibrar a produção com o consumo interno e as exportações, num momento em que a transição energética global e a competição com combustíveis fósseis influenciam diretamente a dinâmica do mercado.

Impactos na cana-de-açúcar e nos preços

O crescimento da produção de etanol também afeta o mercado de açúcar. Uma eventual pressão sobre os preços do biocombustível pode levar as usinas brasileiras a redirecionarem parte da cana para a produção de açúcar, buscando margens mais vantajosas. Esse movimento tende a influenciar a paridade de preços entre açúcar e etanol e impactar o mercado internacional.

As usinas, portanto, mantêm estratégias de produção flexíveis, ajustando o mix entre etanol e açúcar conforme a evolução dos preços e a demanda.

Banco Central e cenário macroeconômico

O Banco Central do Brasil manteve a taxa Selic em 15% ao ano na primeira reunião de 2026, sinalizando que um possível corte poderá ocorrer a partir de março, diante de sinais de desaceleração econômica e inflação controlada.

Essa política monetária influencia diretamente o custo de financiamento do agronegócio e das usinas, impactando decisões de investimento e consumo relacionadas ao etanol. Uma redução futura da Selic pode estimular o crédito e a demanda interna por combustíveis e tecnologias de produção.

Perspectivas para o setor

No médio e longo prazo, fatores como eventos climáticos adversos ou alta nos preços internacionais de petróleo e gasolina podem sustentar os preços do etanol, mesmo diante da expansão da oferta.

Ainda assim, o setor acompanha de perto o mercado, já que qualquer ajuste relevante no etanol brasileiro tende a gerar efeitos em toda a cadeia da cana-de-açúcar, incluindo açúcar, bioenergia e exportações.

Fonte: Portal do Agronegócio

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