Publicado em: 09/03/2026 às 11:15hs
O mercado brasileiro de etanol apresentou recuperação nos preços ao longo da última semana, refletindo ajustes nas negociações entre usinas e distribuidores. Apesar da valorização no acumulado semanal, o indicador diário de Paulínia (SP) encerrou a sexta-feira (6) com leve recuo, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).
A movimentação ocorre após um período de retração observado ao longo de fevereiro e indica uma recomposição parcial dos valores praticados no mercado do biocombustível.
De acordo com levantamento semanal do Cepea/Esalq, o etanol hidratado apresentou avanço relevante entre os dias 2 e 6 de março.
A média das negociações foi de R$ 2,9352 por litro, o que representa alta de 3,13% em comparação com a semana anterior.
O desempenho sinaliza uma retomada gradual da demanda, além de ajustes nos preços praticados pelas usinas no mercado interno. O movimento também acompanha fatores sazonais do setor de combustíveis e o ritmo de comercialização típico do início do ciclo produtivo da indústria sucroenergética.
O etanol anidro, utilizado na mistura obrigatória com a gasolina, também registrou avanço no mesmo período analisado.
A média semanal foi de R$ 3,2737 por litro, representando alta de 1,49% frente à semana anterior.
O resultado reforça o movimento de recuperação gradual dos preços do biocombustível, após um período de pressão observado nas últimas semanas do mês de fevereiro.
No mercado spot, o Indicador Diário de Paulínia (SP) — uma das principais referências nacionais para o mercado de etanol — apresentou comportamento diferente no fechamento da semana.
Na sexta-feira (6), o etanol hidratado foi negociado a R$ 3.016,00 por metro cúbico, registrando queda de 0,23% no comparativo diário.
Apesar do recuo pontual no encerramento da semana, o indicador ainda acumula valorização de 1,53% ao longo de março, sinalizando uma recuperação parcial após as perdas registradas no mês anterior.
O ambiente macroeconômico segue exercendo influência relevante sobre o comportamento dos preços de combustíveis no Brasil.
Atualmente, a taxa básica de juros (Selic) está em 15% ao ano, conforme decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil. O patamar é o mais elevado em quase duas décadas e faz parte da estratégia da autoridade monetária para conter as pressões inflacionárias.
Analistas do mercado financeiro indicam que, caso o processo de desaceleração da inflação se consolide, o Banco Central poderá iniciar um ciclo gradual de redução da taxa de juros ao longo de 2026.
Mudanças em variáveis macroeconômicas, como juros, inflação e câmbio, impactam diretamente os custos de produção do setor sucroenergético, além de influenciar a demanda por combustíveis e a competitividade do etanol frente à gasolina no mercado doméstico.
Fonte: Portal do Agronegócio
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