Publicado em: 26/02/2026 às 13:40hs
A safra 2026/27 do setor sucroenergético brasileiro começa com mudanças importantes no mix de produção, com o etanol assumindo protagonismo e influenciando as decisões estratégicas das usinas.
De acordo com projeções da Safras & Mercado, a moagem de cana-de-açúcar para a safra deve alcançar cerca de 615 milhões de toneladas, resultando em aproximadamente 40 milhões de toneladas de açúcar, 20 bilhões de litros de etanol hidratado e 14 bilhões de litros de etanol anidro.
Diferente de ciclos anteriores, o destaque deste ano é o etanol. A remuneração do hidratado está 30% acima da do açúcar, um prêmio histórico, que normalmente variava entre 10% e 20%. “Essa distorção inusitada faz com que as usinas priorizem a produção de etanol, tanto hidratado quanto anidro”, explica Maurício Murici, analista da Safras & Mercado.
A elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, de 27% para 30% (E30), implementada em agosto de 2025, também amplia a demanda, projetando acréscimo de 1,85 bilhão de litros nos próximos 12 meses, acima da previsão inicial de 1,65 bilhão.
Apesar da queda nos preços internacionais, abaixo de 14 centavos de dólar por libra-peso em Nova York, muitas usinas brasileiras conseguiram travar valores próximos a 19 centavos por libra-peso no quarto trimestre de 2025 por meio de operações de hedge.
Essa proteção permite exportações estimadas entre 32 e 33 milhões de toneladas, mantendo parte significativa da produção de açúcar. O mix projetado para a safra deve ser de 47% açúcar e 53% etanol. “Sem o hedge, a participação do açúcar poderia cair para menos de 45%”, destaca Murici.
O prêmio do etanol hidratado é explicado pela combinação de estoques 30% menores na entressafra e preços acima da média histórica. No polo do Centro-Sul, em Paulínia, o litro iniciou fevereiro a R$ 3,80, caindo para R$ 3,45–3,50, ainda acima da média dos últimos cinco anos corrigida pela inflação.
O custo de produção estimado entre R$ 2,80 e R$ 2,90 por litro garante margens confortáveis às usinas. Já o açúcar sofre pressão de baixa diante de um superávit global persistente de cerca de 11 milhões de toneladas.
Nos últimos meses, a valorização do etanol reduziu sua competitividade frente à gasolina, mas a situação é considerada sazonal. Com o início da safra, espera-se um ajuste de preços que restabeleça a competitividade e estimule o consumo.
Para 2026, a projeção é de consumo de 14 bilhões de litros de etanol anidro e entre 19 e 21 bilhões de litros de hidratado, acima das médias históricas. Por outro lado, o consumo interno de açúcar segue em queda, estimado em 9,5 milhões de toneladas para o ano, segundo o USDA, enquanto o açúcar VHP mantém demanda estável para a indústria e exportação.
O ano de 2026 deve ser desafiador, principalmente para usinas sem proteção de hedge, podendo reduzir a fixação antecipada para 2027. A expectativa é que o superávit global de açúcar caia para 6–8 milhões de toneladas, abrindo espaço para recuperação dos preços internacionais entre 16 e 18 centavos de dólar por libra-peso ao longo de 2027.
“Neste contexto, o etanol será a âncora de rentabilidade do setor”, afirma Murici. O crescimento econômico projetado acima de 2,5% pelo Banco Central do Brasil deve sustentar a demanda pelo anidro misturado à gasolina.
Nos Estados Unidos, a produção de etanol na semana encerrada em 20 de fevereiro foi de 1,113 milhão de barris por dia (bpd), ligeiramente inferior aos 1,118 milhão da semana anterior, segundo a Administração de Informação de Energia (EIA).
Já os estoques do biocombustível aumentaram 0,22%, totalizando 25,646 milhões de barris. Esses dados são indicadores importantes da demanda interna por milho, principal matéria-prima do etanol nos EUA.
Fonte: Portal do Agronegócio
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