Etanol hidratado sobe quase 20% nas usinas de São Paulo em pouco mais de um mês
Preço passou de R$ 2,05 para R$ 2,46 por litro, sustentado pelo consumo aquecido e por interrupções na moagem de cana no Centro-Sul, segundo o Itaú BBA.
Publicado em: 25/09/2026 às 12:00hs
O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas avançou de R$ 2,05 por litro no início de agosto para R$ 2,46 na semana encerrada em 11 de setembro. A alta, próxima de 20%, ocorre em um momento de demanda firme, enquanto as chuvas interrompem a moagem de cana-de-açúcar em áreas do Centro-Sul. Os dados constam de análise da Consultoria Agro do Itaú BBA.
A valorização também sucede um período de pressão sobre as cotações. Segundo a consultoria, a alta do açúcar e a menor disponibilidade de matéria-prima em algumas regiões produtoras integram o conjunto de fatores que influenciam o mercado.
Consumo de etanol hidratado sustenta preços
Em julho, as distribuidoras comercializaram 1,92 bilhão de litros de etanol hidratado, o maior volume já registrado para o mês. A competitividade diante da gasolina ajudou a impulsionar as vendas.
Em São Paulo, principal mercado consumidor do país, a relação de preços entre etanol e gasolina permaneceu abaixo de 60% no período analisado, tornando o biocombustível uma opção economicamente favorável ao motorista.
Testes da mistura E35 podem ampliar demanda por etanol anidro
O setor também acompanha a possível autorização de testes para avaliar a viabilidade técnica da mistura de 35% de etanol anidro na gasolina, conhecida como E35. De acordo com o material analisado pelo Itaú BBA, a expectativa era de publicação da portaria pelo Ministério de Minas e Energia ainda em setembro.
Caso a mistura venha a ser adotada, a consultoria estima uma demanda adicional de 2 bilhões a 2,5 bilhões de litros de etanol anidro por ano. Essa projeção depende da conclusão dos testes e de uma decisão regulatória; não representa consumo já contratado.
Chuvas e cana remanescente entram no radar da safra
No lado da oferta, as chuvas têm interrompido a moagem no Centro-Sul e podem estender o processamento da cana. Para Mariana Zechin, analista da Consultoria Agro do Itaú BBA, a recuperação dos preços reúne consumo mais forte, maior competitividade do etanol e a perspectiva de mudanças regulatórias.
A sustentação das cotações ao longo do restante da safra, porém, dependerá também do ritmo de processamento e do volume de cana bisada, deixada no campo para colheita no ciclo seguinte. As alíquotas de PIS/Cofins sobre combustíveis vigentes entre 10 de setembro e 9 de outubro são outro fator acompanhado pelo mercado, junto às oscilações do petróleo e das margens de refino.
Fonte: Portal do Agronegócio
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