Etanol de milho dispara no Norte-Nordeste e compensa perdas da cana na safra 2025/26, aponta DATAGRO
Produção de biocombustível cresce 36% impulsionada pelo avanço do etanol de milho, enquanto excesso de chuvas reduz ATR, derruba rendimento industrial da cana e pressiona fabricação de açúcar.
Publicado em: 09/07/2026 às 10:50hs
A indústria sucroenergética do Norte-Nordeste brasileiro vive um momento de transformação na safra 2025/26. Embora o excesso de chuvas tenha reduzido a qualidade da cana-de-açúcar e comprometido a produção de açúcar, o crescimento acelerado do etanol de milho impulsionou a oferta regional de biocombustíveis e amenizou os impactos do desempenho mais fraco da matéria-prima tradicional.
Levantamento da DATAGRO mostra que a moagem de cana acumulou 49,96 milhões de toneladas, volume 0,6% inferior ao registrado no mesmo período da safra anterior. Apesar da queda ser moderada, o principal desafio enfrentado pelas usinas foi a redução da eficiência industrial provocada pelas condições climáticas.
Chuvas comprometem qualidade da cana e reduzem ATR
Segundo a DATAGRO, as chuvas frequentes registradas durante a safra elevaram a umidade da cana, prejudicando a concentração de açúcares na matéria-prima destinada ao processamento industrial.
Como consequência, o Açúcar Total Recuperável (ATR) — principal indicador da qualidade industrial da cana — apresentou retração de 7,7% em relação ao ciclo anterior.
A redução do ATR impactou diretamente o desempenho das usinas, diminuindo a capacidade de extração de açúcar e reduzindo a eficiência operacional do setor sucroenergético regional.
Produção de açúcar registra queda de quase 15%
Refletindo a menor disponibilidade de ATR, a produção acumulada de açúcar no Norte-Nordeste recuou 14,8% na comparação com a safra anterior.
O resultado evidencia que, além do volume colhido, a qualidade da matéria-prima continua sendo um fator determinante para a rentabilidade das usinas, especialmente em anos marcados por condições climáticas adversas.
Especialistas destacam que períodos prolongados de excesso de umidade costumam reduzir o teor de sacarose da cana, afetando diretamente a produção de açúcar.
Etanol de milho impulsiona crescimento dos biocombustíveis
Enquanto o segmento açucareiro enfrentou dificuldades, o mercado de biocombustíveis apresentou desempenho bastante diferente.
De acordo com a DATAGRO, a produção total de etanol no Norte-Nordeste alcançou 2,71 bilhões de litros, registrando crescimento de 36% em relação ao mesmo período da safra passada.
O principal responsável por essa expansão foi o avanço do etanol de milho, cuja produção vem crescendo rapidamente na região graças aos investimentos em novas plantas industriais e à maior disponibilidade de grãos.
A diversificação da matriz de produção reduz a dependência exclusiva da cana-de-açúcar e amplia a capacidade das usinas de atender à demanda por combustíveis renováveis.
Etanol de milho fortalece competitividade da indústria
Nos últimos anos, o etanol de milho deixou de ser uma alternativa concentrada apenas no Centro-Oeste e passou a ganhar espaço também no Norte e Nordeste.
O aumento da capacidade instalada proporciona maior flexibilidade às indústrias, permitindo manter elevados níveis de produção mesmo em safras de cana menos favoráveis.
Além disso, o modelo fortalece a integração entre os setores de grãos e bioenergia, agregando valor à produção agrícola e ampliando a competitividade regional.
Perspectivas para a safra e para o mercado de biocombustíveis
A expansão do etanol de milho reforça uma tendência de transformação da matriz energética brasileira, com maior diversificação das fontes de produção de biocombustíveis.
Enquanto a recuperação da produção de açúcar dependerá da evolução das condições climáticas e da qualidade da cana nas próximas etapas da safra, o segmento de etanol deve continuar sustentado pelos investimentos em processamento de milho e pela crescente demanda por combustíveis renováveis.
Para analistas do setor, a combinação entre cana-de-açúcar e milho tende a aumentar a resiliência da indústria sucroenergética brasileira, reduzindo os impactos das oscilações climáticas e fortalecendo a oferta nacional de biocombustíveis.
Fonte: Portal do Agronegócio
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