Publicado em: 11/02/2026 às 19:40hs
O etanol de milho se consolida como um dos segmentos mais dinâmicos da matriz de biocombustíveis no Brasil. De acordo com o presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Guilherme Nolasco, o país deve encerrar o atual ano-safra com 10 bilhões de litros produzidos, volume que já representa cerca de um terço de todo o mercado nacional de etanol.
Segundo Nolasco, o crescimento tem sido expressivo: nos últimos oito anos, o segmento avançou a uma taxa média superior a 30% ao ano. Para a safra 2026/27, a previsão é de um novo salto de 20%, elevando a produção para cerca de 12 bilhões de litros.
Com a rápida expansão da produção, o setor busca criar novos mercados e ampliar o consumo interno. A Unem estima que, na safra 2026/27, o Brasil possa produzir mais de 14 bilhões de litros de etanol, sendo metade proveniente do milho e o restante da cana-de-açúcar. Isso representaria um aumento de até 12% na oferta nacional em apenas um ciclo.
Entretanto, o consumo cresce em ritmo menor — cerca de 2% ao ano —, o que impõe desafios de absorção dessa oferta adicional. “Isso exige responsabilidade do setor”, destacou Nolasco.
Entre as estratégias para equilibrar oferta e demanda, estão:
Atualmente, o etanol hidratado é consumido de forma significativa em apenas seis estados brasileiros: São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e Minas Gerais — todos produtores.
Em outras regiões, como Sul, Norte e Nordeste, o consumo é limitado pelo custo elevado, que se aproxima do valor da gasolina. “Onde não há oferta, o preço fica próximo ao da gasolina e o consumidor não cria o hábito de uso”, explicou o presidente da Unem.
Para mudar esse cenário, novas biorrefinarias de milho estão sendo instaladas em diferentes regiões do país. Somente em 2026, oito novas plantas devem ser inauguradas, com destaque para o Centro-Oeste, o Sul e o Matopiba (área que abrange partes de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).
No Sul, três novas unidades utilizarão trigo e triticale de baixa qualidade, não destinados à alimentação humana. “Esses grãos são aproveitados de forma industrial, sem competir com o mercado de alimentos”, esclareceu Nolasco.
Atualmente, o Brasil conta com 25 biorrefinarias em operação, e esse número deve chegar a 33 até o final de 2026, com novas unidades já em construção. Há ainda 20 projetos em estudo, segundo a Unem.
A expectativa é que, até 2032, o país possa dobrar a produção de etanol de milho, alcançando 20 bilhões de litros. No entanto, Nolasco destaca que os investimentos dependem diretamente da criação de demanda interna e externa.
Além do mercado tradicional de combustíveis, o setor aposta em novas aplicações do etanol em segmentos de alto valor agregado, como a produção de combustível sustentável de aviação (SAF), o transporte marítimo e a exportação para países que ampliam a mistura de etanol à gasolina.
“O Brasil pode parecer grande demais para o mercado atual, mas ainda é pequeno diante do potencial global, especialmente nos setores de aviação e navegação”, afirmou Nolasco.
Ele destacou que apenas uma substituição parcial dos combustíveis fósseis no transporte marítimo mundial já seria suficiente para superar toda a produção brasileira atual de etanol. “O potencial de crescimento é enorme, mas precisa ser sustentável e planejado”, concluiu.
Fonte: Portal do Agronegócio
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