Publicado em: 07/04/2026 às 14:40hs
O mercado brasileiro de etanol encerrou a safra 2025/26 com valorização nos preços médios e inicia o novo ciclo com perspectivas de expansão na produção e no consumo. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e análises de consultorias indicam um cenário de fortalecimento do biocombustível, com impactos diretos também sobre a produção e exportação de açúcar.
No acumulado da safra 2025/26, entre abril de 2025 e março de 2026, os preços médios do etanol em São Paulo ficaram acima dos registrados na temporada anterior.
O etanol hidratado apresentou média de R$ 2,7805 por litro, com alta real de 6,52% em relação ao ciclo 2024/25. Já o etanol anidro registrou média de R$ 3,1291 por litro, avanço de 6,21% na mesma base de comparação, considerando valores deflacionados pelo IGP-M de março.
Mesmo com a valorização, o volume comercializado de etanol hidratado pelas usinas paulistas recuou 28% frente à safra anterior. O mês de maio de 2025 concentrou o maior volume de negociações, enquanto julho apresentou o menor nível de vendas.
Ao longo da safra, o etanol manteve vantagem competitiva frente à gasolina em São Paulo. A relação entre o preço do hidratado e da gasolina C permaneceu abaixo de 70%, patamar considerado favorável ao consumo do biocombustível.
Esse cenário contribuiu para sustentar a demanda e reforçar a presença do etanol como alternativa econômica ao consumidor brasileiro.
A safra 2026/27, iniciada oficialmente em 1º de abril, deve ser conduzida sob um ambiente de maior cautela. Entre os principais fatores de atenção estão a volatilidade nos preços do petróleo, o avanço da produção de etanol a partir do milho e os desdobramentos de conflitos geopolíticos no mercado internacional.
Esses elementos tendem a influenciar diretamente as estratégias das usinas ao longo do ciclo.
As estimativas iniciais indicam moagem entre 625 e 630 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na região Centro-Sul, o que representa crescimento entre 3% e 4% em relação à safra anterior.
A produção total de etanol no Brasil deve ganhar força na safra 2026/27, podendo se aproximar de 43 bilhões de litros, considerando os volumes de etanol hidratado e anidro.
O avanço será impulsionado pela demanda interna aquecida e pela ampliação da mistura obrigatória de etanol à gasolina. O crescimento da produção de cana no Centro-Sul também reflete investimentos realizados em tratos culturais na safra anterior.
A elevação da mistura obrigatória de etanol anidro à gasolina tem papel decisivo na expansão da demanda.
A mudança para E30, implementada em agosto do ano passado, já impactou o consumo. A expectativa agora é de avanço para E35 ao longo de 2026, o que deve intensificar ainda mais a utilização do biocombustível.
Segundo estimativas do mercado, cada ponto percentual adicional na mistura pode gerar aumento de cerca de 920 milhões de litros na demanda anual. Com isso, uma elevação de cinco pontos percentuais pode ampliar o consumo em aproximadamente 4,6 bilhões de litros em 12 meses.
Inicialmente, a transição de E27 para E30 projetava aumento de 1,65 bilhão de litros, mas o aquecimento no consumo de gasolina elevou essa estimativa para 2,76 bilhões de litros.
Diante de condições mais favoráveis ao etanol, as usinas brasileiras tendem a redirecionar o mix produtivo na safra 2026/27, priorizando o biocombustível.
Como consequência, as exportações de açúcar devem recuar de forma significativa. A projeção indica queda próxima de 15%, com os embarques passando de 33,8 milhões para cerca de 29 milhões de toneladas.
O movimento reflete uma estratégia voltada ao atendimento do mercado interno, impulsionada pela maior competitividade do etanol.
A produção brasileira de cana-de-açúcar deve atingir 677,7 milhões de toneladas na safra 2026/27, alta de 3,15% em relação ao ciclo anterior.
A região Centro-Sul continuará liderando o avanço, com moagem estimada em 620 milhões de toneladas, crescimento de 3,7%. Já as regiões Norte e Nordeste devem apresentar retração de 2,2%, com produção total de 57,7 milhões de toneladas.
Apesar do aumento na moagem, a produção de açúcar deve cair 7,36%, totalizando cerca de 40,3 milhões de toneladas, refletindo a priorização do etanol no mix das usinas.
O cenário projetado para a safra 2026/27 evidencia uma mudança estratégica no setor sucroenergético brasileiro. Com maior foco na produção de etanol, o país fortalece sua posição como um dos principais players globais de biocombustíveis.
Ao mesmo tempo, o ajuste no mix produtivo reduz a participação brasileira no mercado internacional de açúcar, em linha com a crescente demanda interna e a competitividade do etanol no setor energético.
Fonte: Portal do Agronegócio
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