Publicado em: 30/01/2026 às 11:20hs
Os preços do açúcar e do etanol seguem oscilando no mercado global e nacional, refletindo fatores externos, câmbio e as recentes decisões do Banco Central do Brasil (BCB). As commodities agrícolas estão diretamente ligadas à política monetária e ao comportamento da inflação, que continuam sob atenção do setor produtivo em 2026.
No mercado internacional, o açúcar apresentou comportamento misto nos últimos pregões. Na Bolsa de Nova York (ICE Futures), os contratos do açúcar bruto oscilaram entre pequenas altas e baixas. O vencimento março/26 encerrou em US$ 0,1470 por libra-peso, enquanto o contrato maio/26 teve leve valorização.
Já na Bolsa de Londres, o açúcar branco mostrou reação mais positiva. O contrato para maio/26 fechou próximo de US$ 416 por tonelada, indicando firmeza nas cotações europeias.
De acordo com analistas de mercado, o cenário ainda é de pressão por oferta elevada na safra global 2025/26, especialmente devido à ampla disponibilidade de açúcar no Brasil e aos embarques da Índia. Apesar disso, há expectativa de recuperação gradual dos preços ao longo de 2026, impulsionada por uma possível redução do excedente mundial.
Segundo análise do Citi Research, os preços do açúcar podem ter atingido o piso e tendem a se recuperar levemente em 2026, com médias entre 16 e 17 cents por libra-peso. A retomada dependerá de ajustes no balanço global, estoques menores e maior direcionamento da cana para o etanol no Brasil.
O cenário reforça a correlação entre as decisões de produção das usinas, o câmbio e os preços internacionais da commodity.
No Brasil, o etanol hidratado registrou queda nas cotações. Conforme o Indicador Diário de Paulínia (SP), o biocombustível foi negociado a R$ 3.156 por m³, baixa de 0,47% em relação ao dia anterior.
A desvalorização reflete o aumento da oferta e o ritmo mais lento da demanda no início do ano. Ainda assim, a expectativa é de que o consumo se recupere gradualmente, acompanhando a tendência de estabilização dos preços dos combustíveis fósseis.
O Indicador Cepea/Esalq aponta que o açúcar cristal branco teve leve valorização nas usinas paulistas, com a saca de 50 kg negociada a R$ 104,78, alta de 0,17%.
Mesmo assim, o acumulado de janeiro ainda mostra queda de 4,7%, refletindo o equilíbrio delicado entre oferta abundante e demanda retraída — fatores que continuam determinantes para o comportamento do mercado doméstico.
Em sua primeira reunião de 2026, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas. A decisão reforça a estratégia de controle da inflação e preservação das expectativas do mercado financeiro.
O Banco Central sinalizou, entretanto, que poderá iniciar um ciclo gradual de redução dos juros a partir de março de 2026, caso os indicadores de inflação e atividade econômica se mantenham dentro das metas.
Os dados mais recentes indicam que a inflação brasileira está sob controle, próxima de 4% no acumulado de 12 meses, conforme o Relatório Focus. O movimento de queda é sustentado pela estabilidade dos preços de alimentos e combustíveis, o que cria condições para cortes graduais na Selic ao longo de 2026.
Esse ambiente favorece o crédito rural e a atividade industrial ligada ao agronegócio, setores que dependem diretamente do custo financeiro para investimentos e custeio da produção.
O câmbio permanece como uma das principais variáveis de risco em 2026. A valorização do dólar frente ao real beneficia exportadores de açúcar e etanol, mas também pressiona os custos internos de produção e insumos agrícolas.
Esse movimento reforça a necessidade de atenção à volatilidade do mercado internacional e à política monetária global, principalmente diante das eleições norte-americanas e das decisões do Federal Reserve (Fed), que impactam diretamente os fluxos cambiais no Brasil.
Com inflação controlada, juros estáveis e expectativa de leve recuperação nas commodities, o cenário para o agronegócio brasileiro é de ajuste gradual e estabilidade. A combinação entre fundamentos econômicos sólidos e câmbio competitivo pode manter o setor sucroenergético em posição estratégica no comércio global ao longo do ano.
Fonte: Portal do Agronegócio
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