Publicado em: 08/07/2015 às 18:00hs
Belo Horizonte ocupa o quarto lugar no ranking de seis capitais do país em poluição atmosférica. É o que aponta um estudo que o Instituto Saúde e Sustentabilidade, instituição especializada em pesquisas de impacto ambiental e de saúde, acaba de concluir com apoio da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (APROBIO).
Com base numa retrospectiva a partir de 2012, quando a mistura do biodiesel ao diesel era de 5% no país, o Rio de Janeiro lidera o ranking, com 24,80 microgramas p/m³. Em seguida está Porto Alegre, com 22,10; São Paulo fica em terceiro, com 21,60; Belo Horizonte, 19,20; Curitiba, 18,60; e Recife, 10,25 microgramas p/m³.
A pesquisa simulou cenários de evolução gradual do biocombustível na matriz veicular brasileira, chegando a 10% (B10) por litro de diesel em 2018, 15% (B15) em 2022, e finalmente 20% (B20), abaixo do que o Brasil já mistura de etanol na gasolina hoje, em 2025.
Apesar dos dados preocupantes, o estudo mostra que, se a mistura do biodiesel ao diesel fosse aumentada para 20%, teríamos menos poluição, internações e mortes, com uma economia de mais de R$ 2 bilhões para os sistemas de saúde dessas capitais até 2025.
Este ano seriam contabilizadas na região metropolitana da capital mineira 1.005 mortes se a presença de biodiesel por litro de diesel mineral ainda fosse de 5%. Como desde novembro do ano passado este percentual passou para 7%, o chamado B7, 25 vidas podem ser salvas até dezembro próximo, com uma economia R$ 3 milhões.
Em 2025 estima-se uma redução de 30 mortes com a adição do biodiesel B7; 63 mortes com a adição de 10% (B10), 123 com a de B15 e 185 com o B20. A economia para os sistemas municipal e estadual de saúde, sem incluir o privado, seria de R$ 7 milhões com uso de B10; R$ 14 milhões com o B15 e R$ 21 milhões com B20. Em 2025, a economia total seria de R$ 4 milhões com o uso de B7 e R$ 25 milhões com o uso de B20.
Em 2015 seriam contabilizadas na grande Belo Horizonte 959 internações com o uso de B5. Em um cenário estacionário de poluição e projeção de crescimento da população, seriam esperadas 1.320 internações por doenças relacionadas à poluição em 2025.
Para o mesmo ano, o estudo estima uma redução de 31 internações com a adição do biodiesel B7, 66 com a de B10, 131 com o B15 e 197 com B20. A economia pela redução das internações, em 2015, seria de R$ 152 mil com o uso de B7 e R$ 955 mil com o de B20. Em 2025, a economia seria de R$ 206 mil com o B7 e R$ 1, 3 milhão com B20.
O levantamento, realizado com base em dados de órgãos de monitoramento e controle ambiental das cidades pesquisadas, aponta uma economia de R$ 145 milhões e 51.188 internações hospitalares a menos por problemas cardiorrespiratórios no Rio e São Paulo, no período de 2015 a 2025.
“Este estudo comprova os inúmeros benefícios do biodiesel na matriz energética brasileira”, afirma o presidente da APROBIO, Erasmo Carlos Battistella. Para ele, no ano da Conferência do Clima da ONU, a COP 21 em Paris; quando até o Papa divulga uma encíclica sobre o meio ambiente, e cidades como Santiago do Chile decretam estado de calamidade pública por causa da poluição do ar, “o Brasil não pode se furtar do emprego de um ativo importante para reduzir a mortalidade e realocar recursos nas políticas de saúde pública.”
Rio lidera poluição
Os especialistas se debruçaram sobre a quantidade de material particulado (MP) inalável – a poluição atmosférica nas capitais estudadas –, causada em grande parte pela emissão de gases na combustão do diesel fóssil. O critério é da Organização Mundial da Saúde, das Nações Unidas, de 2,5 MP por metro cúbico (m³).
Com os aumentos graduais de biodiesel na matriz veicular e a consequente redução da suspensão de poeira, o Rio chegaria a 2025, passando pelas Olimpíadas em 2016, com 23,63 microgramas de MP/m³, ainda na ponta das seis cidades. E mesmo assim terá contribuído muito. Só neste ano na região metropolitana da cidade seriam contabilizadas 4.736 internações públicas se ainda estivesse a mistura de 5% por litro de diesel.
Com a elevação para B7 no ano passado, o Rio de Janeiro deixará de internar 1.011 pessoas por problemas cardiorrespiratórios até dezembro, ao custo de R$ 1,9 milhão. Em um cenário estacionário de poluição e crescimento de mortes, seriam esperados 4.390 falecimentos este ano. Mas o B7 ajudará a poupar 943 vidas, economizando R$ 121 milhões aos cofres públicos. O B20 salvaria 5.712 vidas e economizaria R$ 732,6 milhões até 2025. Graças à mistura atual de 7% (B7), São Paulo salvará 612 vidas em 2015 das 4.699 mortes atribuíveis à poluição se a cidade ainda estivesse misturando 5% de biodiesel. Isto representa uma economia de R$ 120 milhões.
Se o B20 fosse adotado hoje na região metropolitana da capital paulista, 7.319 mortes seriam evitadas até 2025, num ritmo de mais de 665 por ano ou 1,82 por dia. No mesmo cenário, R$ 1,4 bilhão deixaria de ser gasto nestes onze anos, além de 45.022 internações a menos no período.
Com o B7, os paulistanos evitarão 582 internações hospitalares, das 29.181 projetadas para 2015 no cenário anterior, de B5. Até 2025, o custo delas será de R$ 1.088 bilhão, mas pode cair para R$ 866 milhões se a mistura continuar aumentando até lá.
“No momento que a OMS clama por ação dos seus estados membros ao combate à poluição atmosférica, líder ambiental em adoecimento e morte no mundo e em que o Papa Francisco divulga a encíclica, esse estudo mostra o surpreendente benefício do biodiesel em saúde pública, em iniciativa que, se implementada, preencheria uma lacuna num país com verdadeiro e inacreditável vácuo de leis e políticas públicas nesse âmbito”, diz a médica Evangelina Vormittag, presidente do Instituto Saúde e Sustentabilidade.
“No momento que a OMS clama por ação dos seus estados membros ao combate à poluição atmosférica, líder ambiental em adoecimento e morte no mundo e em que o Papa Francisco divulga a encíclica, esse estudo mostra o surpreendente benefício do biodiesel em saúde pública, em iniciativa que, se implementada, preencheria uma lacuna num país com verdadeiro e inacreditável vácuo de leis e políticas públicas nesse âmbito”, diz a médica Evangelina Vormittag, presidente do Instituto Saúde e Sustentabilidade.
Fonte: Analítica Comunicação
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