Publicado em: 30/01/2026 às 10:30hs
A Bahia ganha destaque no cenário nacional de biocombustíveis com a intensificação das atividades produtivas na Usina de Biodiesel de Candeias, operada pela Petrobras Biocombustível S.A. (PBio). Em reunião realizada na segunda‑feira (26) na Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia (SDE), autoridades do setor discutiram os avanços da produção de biodiesel, a expansão das exportações e os impactos econômicos e ambientais positivos para o estado.
O encontro contou com a presença do diretor de Biodiesel da PBio, Flávio Tomiello, do gerente da usina, Valter Paixão, e do coordenador‑geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar. A modernização da planta e o fortalecimento da cadeia produtiva são partes da estratégia iniciada pela empresa desde 2023 para ampliar volumes e competitividade do biocombustível produzido na Bahia.
Em 2025, a usina de Candeias concluiu duas exportações de biodiesel avançado para o mercado europeu, com embarques pelo Porto de Aratu. A PBio já trabalha na produção de novos lotes com previsão de novas exportações ainda no primeiro trimestre de 2026, com foco em mercados que demandam altos padrões de sustentabilidade.
Segundo a PBio, o produto exportado foi produzido com óleo técnico de milho (TCO) e atingiu redução de mais de 84% nas emissões de gases de efeito estufa quando comparado ao diesel fóssil. O biocombustível também cumpriu os requisitos de sustentabilidade e rastreabilidade da certificação ISCC (International Sustainability and Carbon Certification), critério essencial para acesso ao mercado europeu.
O secretário da SDE, Angelo Almeida, destacou a importância do diálogo contínuo entre governo, indústria e trabalhadores do setor como pilar para o crescimento sustentável da bioenergia. Para ele, a Bahia tem potencial para unir desenvolvimento econômico, geração de empregos, inovação industrial e sustentabilidade ambiental por meio da produção local de biodiesel.
Almeida ressaltou também a integração dos fornecedores de matérias‑primas, com produtos oriundos tanto da Região Metropolitana de Salvador quanto do oeste baiano. A recente entrada em operação da usina de etanol de milho em Luís Eduardo Magalhães amplia a sinergia e posiciona o estado como um polo estratégico na cadeia nacional e internacional de biocombustíveis.
Outro ponto debatido foi a estruturação de cadeias ligadas a óleos e gorduras residuais, como o óleo de cozinha usado, com a participação de associações de catadores e cooperativas — uma iniciativa que alia inclusão social, sustentabilidade ambiental e economia circular.
O ambiente econômico brasileiro, fundamental para a competitividade das exportações do setor de biocombustíveis, segue influenciado por decisões de política monetária. O Banco Central do Brasil (BCB) manteve a taxa Selic em 15% ao ano em sua última reunião de política monetária, o maior nível dos últimos anos, mas sinalizou a possibilidade de cortes a partir de março de 2026, de acordo com dados de mercado.
Esse patamar de juros elevados tem ajudado a manter a inflação sob controle, reforçando a previsibilidade econômica para investidores e agentes do agronegócio. A estabilidade também contribui para reduzir a volatilidade cambial, um fator relevante para produtores que dependem de exportações em mercados exigentes.
O impulso na produção de biodiesel na Bahia está alinhado com um momento de expansão da bioenergia no Brasil, que já se destaca como um dos maiores produtores globais. A combinação de investimento em tecnologia industrial, acesso a mercados externos e um ambiente econômico estável favorece a competitividade brasileira no setor.
Além disso, debates sobre políticas de biodiesel e possíveis restrições ao produto importado continuam no centro das discussões do agronegócio, refletindo desafios e oportunidades para produtores, distribuidores e exportadores no país.
Fonte: Portal do Agronegócio
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