Publicado em: 21/01/2026 às 09:00hs
Brasil amplia presença no mercado global de biocombustíveis
A Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (APROBIO) iniciou, em 2026, uma agenda internacional estratégica com o objetivo de abrir novos mercados e fortalecer a imagem do biodiesel brasileiro no exterior. A primeira ação da iniciativa ocorre nos Estados Unidos, com a participação do presidente da entidade, Jerônimo Goergen, na Clean Fuels Conference, realizada de 19 a 22 de janeiro, no Orlando World Center Marriott.
O evento é um dos mais importantes fóruns globais sobre combustíveis renováveis, reunindo produtores, fornecedores de matérias-primas, fabricantes de motores, formuladores de políticas e representantes do setor de energia sustentável.
De acordo com Jerônimo Goergen, a presença na conferência marca o início de uma ofensiva internacional que visa posicionar o Brasil como referência mundial na transição energética.
“Definimos a atuação internacional como prioridade estratégica em 2026. O Brasil possui um produto competitivo, sustentável e reconhecido globalmente. Nosso objetivo é ampliar mercados e reforçar o biodiesel brasileiro como um símbolo de energia limpa e confiável”, afirmou Goergen.
Ao longo do ano, a APROBIO pretende desenvolver ações coordenadas de promoção comercial e institucional, com foco em sustentabilidade, rastreabilidade e inovação tecnológica — pilares que sustentam o modelo brasileiro de produção.
O Brasil é hoje um dos maiores produtores de biodiesel do mundo, com ampla diversidade de matérias-primas, escala industrial consolidada e marco regulatório estável. Esses fatores tornam o combustível nacional altamente competitivo no cenário internacional.
Segundo Goergen, o país reúne condições únicas para liderar a descarbonização global:
“O mundo busca soluções energéticas limpas e economicamente viáveis. O biodiesel brasileiro oferece exatamente isso. Queremos mostrar que o Brasil é mais do que um grande produtor — é um parceiro estratégico na transição para uma economia de baixo carbono.”
A Clean Fuels Conference é organizada pela Clean Fuels Alliance America, associação que representa os segmentos de biodiesel, diesel renovável e combustível de aviação sustentável (SAF). O evento reúne especialistas e líderes do setor para discutir tendências, políticas públicas e inovações tecnológicas.
Entre os temas debatidos estão:
A programação inclui ainda mostras de veículos e equipamentos movidos a biodiesel e diesel renovável, além de painéis técnicos sobre qualidade, sustentabilidade e inovação.
Em artigo publicado na Biobased Diesel®, Scott Fenwick, diretor técnico da Clean Fuels, destacou o momento de expansão do biodiesel nos Estados Unidos, apesar das incertezas políticas.
Segundo Fenwick, biodiesel, diesel renovável e SAF são soluções comprovadas, com alto desempenho e grande contribuição para redução de emissões e fortalecimento da segurança energética.
“Mesmo diante de incertezas regulatórias, a qualidade e a confiabilidade do biodiesel permanecem sólidas, sustentando a confiança de investidores e consumidores”, afirmou.
O especialista ressaltou que os avanços técnicos, como o padrão de qualidade BQ-9000®, têm garantido a adoção de misturas de biodiesel em concentrações mais altas. Fabricantes como a John Deere já aprovaram o uso de biodiesel B30 em motores Tier 4, e modelos anteriores a 2010 podem operar com misturas de até B100.
De acordo com dados da GlobalData, o mercado de biodiesel e diesel renovável representa 10% do valor total da soja cultivada nos Estados Unidos, consumindo cerca de 1 bilhão de libras de óleo de soja por mês e adicionando US$ 42,4 bilhões à economia americana.
Desde 2023, o setor já investiu mais de US$ 6 bilhões em ampliação de capacidade produtiva, com uma estrutura pronta para expansão imediata assim que houver maior estabilidade regulatória.
Fenwick ressalta que a combinação de capacidade robusta, programas técnicos avançados e ampla oferta de matéria-prima posiciona a indústria para uma rápida resposta à demanda global, com benefícios para agricultores, economias rurais e políticas de descarbonização.
Fonte: Portal do Agronegócio
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