Publicado em: 06/02/2026 às 11:15hs
A XP Investimentos divulgou um relatório nesta quinta-feira (6) em que mantém postura cautelosa para as empresas de açúcar e etanol sob sua cobertura — São Martinho (SMTO3), Jalles Machado (JALL3) e Raízen (RAIZ4). Segundo a análise, o setor deve enfrentar um ambiente desafiador, com limitações na geração de caixa e valuation pressionado.
De acordo com os analistas, os resultados das companhias seguem afetados por fatores macroeconômicos e operacionais, como o superávit global de açúcar, aumento da produção de etanol de milho e queda nos preços do petróleo, o que tende a impactar margens e rentabilidade.
“As perspectivas de valorização e fluxo de caixa livre continuam limitadas, especialmente no caso da Raízen, que ainda depende fortemente de venda de ativos e capitalização para reduzir sua alavancagem”, destacou o relatório da XP.
A XP projeta que a safra 2026/27 do Centro-Sul do Brasil alcance 623 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, um avanço de 2,5% em relação ao ciclo anterior. O crescimento é impulsionado por ganhos em toneladas de cana por hectare (TCH) e açúcar total recuperável (ATR).
Apesar dos rendimentos mais altos, a XP alerta que o aumento da oferta global pode pressionar os preços no mercado. A expectativa é que o mix entre açúcar e etanol seja um ponto de atenção, já que as companhias devem ajustar a produção de acordo com a rentabilidade de cada produto.
Para o terceiro trimestre da safra 2025/26 (3T26), a XP prevê resultados neutros no consolidado das empresas acompanhadas.
São Martinho e Jalles Machado devem reportar queda de volumes e aumento de custos, enquanto
Raízen deve se destacar com melhor desempenho nas margens de distribuição de combustíveis.
As divulgações estão previstas para fevereiro: São Martinho no dia 9, e Raízen e Jalles Machado no dia 12.
A XP elevou o preço-alvo da São Martinho e manteve recomendação neutra, com destaque para o potencial de expansão do etanol de milho.
Mesmo com visão positiva para o médio prazo, a XP ressalta que o fluxo de caixa livre seguirá pressionado até 2028/29, período em que a expansão do etanol de milho deve atingir 85% da capacidade total.
No 3T26, a XP estima queda de 6% na receita líquida, acompanhada de redução de 36% no EBIT e 21% no EBITDA ajustado, impactados por custos mais altos e menor diluição.
A ação é negociada a cerca de 16,8 vezes EV/EBIT para 2026/27, mantendo recomendação neutra.
A XP rebaixou a recomendação da Raízen (RAIZ4) de compra para neutra, com redução do preço-alvo diante do aumento no risco de endividamento.
Segundo o relatório, a empresa tem mostrado melhora operacional, especialmente no segmento de distribuição de combustíveis, mas o risco financeiro segue elevado.
“A tese da Raízen tornou-se mais complexa e arriscada. Ainda projetamos queima de caixa e aumento de alavancagem, mesmo após as iniciativas de venda de ativos”, afirma a XP.
A corretora projeta queda de 6% na receita líquida e EBITDA ajustado de R$ 3,6 bilhões, um crescimento de 17%, refletindo margens melhores nas operações.
A XP manteve recomendação de compra para Jalles Machado (JALL3), mas reduziu o preço-alvo devido a ramp-up mais lento da usina Santa Vitória (SVA) e resultados abaixo do esperado nas unidades Jalles Machado (JAL) e Otávio Lage (UOL).
Após um ano marcado por adversidades climáticas, a XP projeta melhora gradual nos resultados, mas ainda com pressão sobre EBITDA e EBIT ajustados, estimando quedas de 21% e 7%, respectivamente, para 2026/27.
A companhia mantém uma estratégia de hedge eficiente, com 75% da produção de açúcar 26/27 já protegida, a preços cerca de 20% acima dos níveis atuais, o que deve garantir desempenho superior em relação aos pares.
Para o 3T26, a XP prevê queda de 28% na receita líquida e retração de 14% no EBITDA ajustado e 40% no EBIT ajustado.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias