Publicado em: 18/02/2026 às 10:20hs
O início de 2026 recoloca o câmbio como um dos principais fatores de decisão para o produtor rural brasileiro. Com o dólar em torno de R$ 5,20, o menor patamar desde 2024, a valorização do real tem impactado diretamente os preços da soja e do milho, reduzindo a rentabilidade das exportações e alterando o custo dos insumos agrícolas.
A combinação de juros elevados, inflação controlada e credibilidade na política monetária tem atraído capital estrangeiro, fortalecendo a moeda nacional.
Segundo Isabella Pliego, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, o real mais forte traz desafios à comercialização:
“Mesmo com Chicago em níveis razoáveis, o câmbio reduz os ganhos do produtor, especialmente na soja”, explica.
O fortalecimento do real ao longo de 2025 foi impulsionado pelo cenário macroeconômico favorável no Brasil e pela desaceleração do dólar no mercado global, após o fim do ciclo de alta de juros nos Estados Unidos.
Embora positivo para a economia nacional, esse contexto tem diminuído a margem de lucro do sojicultor, já que a paridade de exportação segue baixa — entre R$ 95 e R$ 100 por saca — resultado de Chicago próxima de US$ 11/bushel, prêmios reduzidos e câmbio menos competitivo.
“O real mais forte faz com que cada dólar exportado renda menos em reais, comprimindo a margem do produtor e aproximando muitos do ponto de equilíbrio”, complementa Isabella.
Enquanto o câmbio pressiona os preços, o custo de produção subiu entre 7% e 10% em relação à safra anterior, segundo a análise da Biond Agro. Com os preços cerca de 10% abaixo dos registrados no mesmo período do ano passado, a safra 2025/26 de soja opera com margens mais estreitas e menor capacidade de absorver riscos.
Diante desse cenário, a orientação é adotar estratégias comerciais defensivas, com vendas parciais e escalonadas, além do uso de instrumentos de proteção de preço e câmbio.
“Não é um momento para vender toda a produção de uma vez, mas também não se pode ficar totalmente exposto. O equilíbrio entre liquidez e flexibilidade é essencial”, reforça a analista.
Ao contrário da soja, o milho apresenta maior resistência às oscilações cambiais. O crescimento do consumo interno, impulsionado pela produção de proteína animal e pela indústria de etanol de milho, tem mantido os preços acima da paridade de exportação.
Mesmo com o dólar mais baixo, a demanda doméstica segue como principal fator de sustentação.
“No milho, o câmbio não é o principal determinante de preço. O consumo interno dita o ritmo do mercado, e o risco maior aparece apenas quando a safra é muito grande e supera essa demanda”, analisa Isabella.
O relatório da Biond Agro indica que o primeiro semestre de 2026 será marcado por maior oferta e pressão nos preços, reflexo da colheita volumosa. Já o segundo semestre pode trazer melhores oportunidades de venda, com a retomada das exportações e maior sensibilidade da Chicago Board of Trade às condições climáticas nos Estados Unidos.
“A decisão comercial não deve ser tudo ou nada. Garantir parte da renda e manter flexibilidade sobre o restante é o caminho mais seguro para atravessar o ano com menos exposição e mais oportunidades”, conclui Isabella Pliego.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias