Mercado Financeiro

Um ciclo de cortes nas taxas de juros nos EUA está chegando, mas depende do forward guindance; confira análise da hEDGEpoint

As quedas mais rápidas do que o esperado na inflação foi uma das variáveis positivas observadas pelos membros do Fed nos últimos 12 meses, aumentando a probabilidade de cortes nas taxas em março de 2024


Publicado em: 29/01/2024 às 11:20hs

Um ciclo de cortes nas taxas de juros nos EUA está chegando, mas depende do forward guindance; confira análise da hEDGEpoint

Entretanto, é importante observar que os dados econômicos positivos e o mercado de trabalho resiliente nos Estados Unidos oferecem incentivos para um início mais conservador dos cortes nas taxas de juros, provavelmente a partir de maio deste ano. Além disso, os conflitos no Mar Vermelho estão pressionando os custos marítimos, o que pode exercer pressão sobre a inflação global, já que mais navios estão optando por rotas maiores e custosas.

Apesar de um custoso processo desinflacionário, que resultou em taxas de juros na amplitude de 5,25% a 5,50%, o aperto monetário está trazendo os preços para o nível de 2% sem causar uma recessão ou danos significativos ao mercado de trabalho. 

“Em breve, a tão esperada flexibilização da política monetária, quando iniciada, ajudará a enfraquecer o dólar. Esse movimento tende a fortalecer ativos com maior risco - como as commodities. Portanto, é fundamental prestar muita atenção às pistas que serão dadas pelos membros da diretoria do Fed na próxima reunião, nos dias 30 e 31 de janeiro”, afirma Victor Arduin, analista de Macroeconomia e Energia da hEDGEpoint Global Markets.

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Os ganhos no mercado de trabalho foram moderados, mas continuam resilientes 

O mercado prevê uma flexibilização monetária neste ano, embora ela possa não ocorrer no ritmo previsto, nas principais economias do mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Fed, em sua última reunião, projetou cortes da ordem de -75 pontos-base em 2024, conforme indicado em seu gráfico de pontos. Várias empresas de análise sugerem que o primeiro corte na taxa de juros pode ocorrer em março, mas acreditamos que demorará mais, acontecendo na reunião de 30 de abril e 1º de maio. 

“Vamos observar alguns dados importantes que influenciam a tomada de decisão dos membros do banco central americano. Apesar de a inflação continuar convergindo para a meta de 2%, o que é muito positivo, o mercado de trabalho continua altamente resiliente, com ganhos reais de salários de 0,8% entre dezembro de 2022 e dezembro de 2023. Além disso, a política monetária restritiva não pressionou o desemprego, que se manteve estável abaixo de 4%”, diz o analista.

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O banco central americano pode assumir um risco ao implementar um corte na taxa de juros muito cedo, potencialmente desancorando as expectativas do mercado. 

Além disso, os resultados econômicos positivos e o mercado de trabalho resiliente não oferecem incentivos para um corte na taxa de juros em março. 

Segundo Victor, “outro fator relevante que causa preocupações para as autoridades monetárias americanas é a escalada no Mar Vermelho, onde novos acontecimentos surgem a cada semana e já estão impactando os custos do transporte marítimo”.

Apesar de serem voláteis e estarem fora do controle da política monetária, eles representam um desafio adicional no controle de preços. 

“Portanto, é importante observar qual linguagem será adotada na próxima comunicação do Fed, que pode fornecer uma orientação clara de quando haverá o corte na taxa de juros. Se isso de fato ocorrer em março, é provável que essa sinalização aconteça na reunião de 30 e 31 de janeiro”, observa.

Resumo

O processo desinflacionário nos Estados Unidos tem dado cada vez mais sinais de que será bem-sucedido, o que significa trazer os preços para a meta de 2% sem levar a economia a uma recessão, o chamado "pouso suave" frequentemente mencionado pelo Fed. 

Entretanto, apesar de acender a esperança no mercado, não prevemos um corte de juros em março. Os dados econômicos robustos não justificam uma flexibilização tão rápida da política monetária, conforme evidenciado pelo crescimento do PIB e pelo mercado de trabalho resiliente. 

Fonte: hEDGEpoint Global Markets

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