Mercado Financeiro

Trigo sobe no Brasil com oferta restrita, temor climático no Sul e mercado atento ao El Niño

Preços do trigo avançam no mercado interno, enquanto produtores seguram vendas e indústria enfrenta dificuldade para recompor estoques


Publicado em: 26/05/2026 às 11:10hs

Trigo sobe no Brasil com oferta restrita, temor climático no Sul e mercado atento ao El Niño

O mercado brasileiro de trigo segue operando em ritmo firme neste fim de maio, sustentado pela baixa disponibilidade do cereal, pela postura cautelosa dos produtores e pelas preocupações climáticas envolvendo o avanço do fenômeno El Niño no Sul do Brasil. Enquanto os contratos futuros recuam na Bolsa de Chicago nesta terça-feira (26), os preços internos continuam elevados, refletindo a restrição de oferta no período de entressafra e a expectativa de uma safra menor em 2026.

Levantamentos do Cepea apontam que as cotações acumulam altas consecutivas nas principais regiões produtoras. No Rio Grande do Sul, o preço médio estadual ultrapassou R$ 1.300 por tonelada, retornando aos níveis nominais observados em agosto de 2025. Já no Paraná, os valores superaram R$ 1.350 por tonelada, alcançando patamares semelhantes aos registrados em setembro do ano passado.

Segundo pesquisadores do Cepea, produtores seguem retraídos nas negociações, aguardando preços ainda mais elevados diante das incertezas climáticas para a nova temporada. O mercado monitora com atenção a confirmação do El Niño no segundo semestre de 2026, fenômeno que pode aumentar o volume de chuvas durante as fases de maturação e pré-colheita do trigo no Sul do país.

Moinhos aceitam preços mais altos para garantir abastecimento

Mesmo com os preços em alta, a indústria moageira continua ativa no mercado. Moinhos têm aceitado pagar valores maiores para recompor estoques e garantir matéria-prima para os próximos meses, especialmente diante da expectativa de estabilidade no consumo interno.

No Rio Grande do Sul, negócios da safra velha para entrega em julho foram reportados entre R$ 1.400 e R$ 1.430 por tonelada CIF, enquanto vendedores pediam cerca de R$ 1.350 FOB. O trigo branqueador também segue valorizado, com produto de até 270 de W sendo negociado a R$ 1.400 FOB no armazém do produtor.

Apesar disso, o setor industrial enfrenta dificuldades para repassar custos. A valorização do trigo não tem sido acompanhada por altas equivalentes nos preços da farinha e dos farelos, comprimindo as margens da moagem.

Área de trigo pode diminuir no Sul do Brasil

O cenário de custos elevados, crédito rural mais restrito e risco climático crescente já influencia o planejamento da próxima safra de inverno. No Rio Grande do Sul, cresce a tendência de redução da área plantada com trigo em 2026.

Produtores avaliam substituir parte das lavouras por culturas consideradas menos arriscadas, como canola, milho precoce, soja safrinha e plantas de cobertura. A mudança ocorre após sucessivos ciclos de dificuldades climáticas e financeiras enfrentados pelos triticultores gaúchos.

Em Panambi (RS), o preço de balcão avançou para R$ 65,04 por saca, refletindo a firmeza do mercado regional.

Santa Catarina e Paraná registram preços firmes

Em Santa Catarina, os preços permaneceram majoritariamente estáveis no interior do estado, com altas pontuais em regiões como Joaçaba e Xanxerê. O frete segue sendo fator decisivo na composição dos valores finais negociados.

O trigo catarinense é ofertado entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada FOB. Já no Paraná, os preços variam entre R$ 1.320 e R$ 1.350 FOB no Sudoeste, enquanto negócios específicos alcançaram R$ 1.400 FOB no Norte e até R$ 1.450 CIF na região de Curitiba.

A oferta continua limitada, com produtores segurando volumes à espera de novas valorizações. Ao mesmo tempo, os moinhos demonstram maior interesse por trigo de qualidade superior e relatam redução das alternativas mais baratas no mercado.

O trigo argentino nacionalizado no porto é indicado entre US$ 290 e US$ 295 por tonelada, mas compradores seguem priorizando o cereal brasileiro devido às dificuldades relacionadas à qualidade do produto importado.

Chicago opera em baixa, mas mercado doméstico segue sustentado

No cenário internacional, os contratos futuros do trigo operavam em queda na Bolsa de Chicago na manhã desta terça-feira (26), pressionados por realização de lucros e previsões de melhora nas condições das lavouras norte-americanas.

Por volta das 9h (horário de Brasília), o contrato julho/26 era negociado a 639,0 centavos de dólar por bushel, com recuo de 72 pontos. O setembro/26 caía para 652,6 centavos, enquanto o dezembro/26 era cotado a 672,6 centavos por bushel.

Apesar da pressão externa, analistas destacam que o mercado brasileiro segue relativamente descolado das oscilações internacionais neste momento, devido à baixa disponibilidade interna e à forte preocupação com o desenvolvimento da próxima safra no Sul do país.

Além do clima no Brasil, operadores acompanham o avanço da semeadura nacional e as condições das lavouras nos Estados Unidos e na Argentina, fatores que devem continuar influenciando o comportamento dos preços nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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