Publicado em: 23/03/2026 às 11:16hs
O mercado internacional de trigo iniciou a semana sob pressão nas bolsas, refletindo vendas de fundos, cenário macroeconômico incerto e uma oferta global considerada confortável no curto prazo. Apesar disso, fatores estruturais, como o clima adverso em regiões produtoras e a perspectiva de menor produção mundial, podem alterar o rumo das cotações nos próximos meses.
Os contratos futuros de trigo começaram a sessão desta segunda-feira (23) em baixa na Chicago Board of Trade (CBOT), mantendo o movimento negativo observado nos últimos pregões.
Na abertura, o contrato maio/26 era cotado a US$ 5,86 por bushel, com recuo de 8 pontos. O julho/26 operava a US$ 5,99/bu, com queda de 7 pontos, enquanto o setembro/26 registrava US$ 6,13/bu, também com baixa de 7 pontos.
O desempenho reflete a continuidade das vendas no mercado internacional e a ausência de fatores imediatos que sustentem uma recuperação mais consistente dos preços.
O mercado global segue reagindo a uma dinâmica de oferta relativamente confortável entre os principais exportadores, o que limita avanços mais expressivos nas cotações.
A liquidação de posições por fundos de investimento tem contribuído para a queda dos preços, enquanto o fortalecimento do dólar aumenta a competitividade do trigo europeu e reduz a demanda pelo produto norte-americano.
As exportações dos Estados Unidos permanecem abaixo do esperado, reforçando o viés baixista no curto prazo.
Apesar da pressão recente, o clima nos Estados Unidos continua sendo um dos principais pontos de atenção do mercado.
Atualmente, cerca de 55% das áreas de trigo de inverno enfrentam algum grau de seca, índice superior ao registrado no mesmo período do ano passado. A previsão de chuvas abaixo da média em regiões produtoras importantes também eleva a preocupação com o desenvolvimento das lavouras.
Caso esse cenário persista ou se intensifique, o impacto na produtividade pode reduzir a oferta e sustentar os preços no médio prazo.
No cenário internacional, projeções do International Grains Council indicam produção de aproximadamente 822 milhões de toneladas na safra 2026/27, volume inferior ao ciclo anterior.
A perspectiva de menor oferta global reforça a possibilidade de sustentação dos preços, especialmente se a demanda permanecer firme.
Além disso, os custos de produção mais elevados podem limitar o investimento nas lavouras ou reduzir a área plantada tanto no Hemisfério Norte quanto no Sul, contribuindo para um cenário de oferta mais ajustada.
As tensões geopolíticas em regiões estratégicas continuam impactando o comércio global de grãos, com possíveis efeitos sobre logística e fluxo de exportações.
Outro ponto de atenção é a expectativa de uma safra menor na Rússia, um dos principais exportadores mundiais de trigo, fator que pode influenciar o equilíbrio entre oferta e demanda global.
Por outro lado, fatores positivos do lado da oferta ajudam a manter a pressão sobre os preços.
A previsão de boas chuvas para o trigo de primavera nos Estados Unidos melhora as perspectivas produtivas. Além disso, a expectativa de uma safra robusta na Argentina amplia a disponibilidade global do cereal.
Esse cenário reforça a competitividade entre os grandes exportadores e mantém o mercado volátil no curto prazo.
No Brasil, o mercado físico de trigo apresenta ritmo lento de negociações. De acordo com análises da Safras & Mercado, compradores e vendedores mantêm postura cautelosa.
Os moinhos estão abastecidos no curto prazo, enquanto os produtores seguem retraídos, aguardando melhores condições de preço. Esse comportamento reduz a liquidez e mantém as cotações relativamente estáveis, mesmo diante das oscilações externas.
O início da semana reforça um ambiente de atenção para o produtor brasileiro. O mercado internacional ainda não apresenta uma direção definida no curto prazo, enquanto o câmbio e o comportamento das bolsas globais continuam sendo determinantes para o ritmo das negociações internas.
Diante desse contexto, fatores como clima no Hemisfério Norte, movimentação dos fundos e condições da oferta global devem seguir no centro das atenções e definir o rumo do mercado de trigo nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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