Publicado em: 21/02/2024 às 10:55hs
Na semana passada, o mercado de títulos do Tesouro americano esteve bastante agitado devido aos dados de inflação, que superaram as expectativas, aumentando a aversão ao risco. A surpresa altista, especialmente no setor de serviços, reforça a ideia de que ainda há um caminho a percorrer para atingir a meta de inflação de 2%.
Olhando para o cenário macroeconômico, com um mercado de trabalho resiliente e uma atividade econômica forte, cresce o sentimento de que os juros permanecerão altos por mais tempo, algo que tem reflexos não apenas no mercado de títulos soberanos dos Estados Unidos, mas também no mercado de commodities.

O nível dos juros nos Estados Unidos tem um impacto amplo na economia mundial, já que o dólar americano é a principal moeda de reserva do mundo. Por essa razão, o mercado aguarda ansiosamente por cortes de juros pelo Fed.
No entanto, dados positivos de emprego e os recentes números da inflação do país, que registraram 3,1% em janeiro, indicam que a economia pode conviver com a atual política monetária restritiva por mais tempo. Portanto, não devemos observar uma flexibilização dos custos de empréstimo antes de junho. À medida que aumenta a percepção do mercado de que os juros permanecerão altos por mais tempo, os rendimentos dos tesouros americanos reagem, ganhando força nas últimas semanas.
Por exemplo, o benchmark de 2 anos (2AT-Note) fechou na última sexta-feira, dia16/02, em 4,65%, uma alta de 0,16 (+3,74%) na semana. Esse nível não era observado desde meados de dezembro, quando muitas apostas do mercado davam com o certo um corte de juros em março de 2024.


Se, por um lado, os juros altos na maior economia do mundo preocupam por dificultarem o acesso ao crédito e reduzirem o consumo, também preocupam os países emergentes e os deixam apreensivos, principalmente os exportadores de commodities. Como esses produtos são geralmente negociados em dólar, o fortalecimento da moeda americana os torna mais caros, resultando em uma pressão baixista para este mercado.
A influência da movimentação do mercado pode ser visualizada no DXY, um índice que acompanha o desempenho do dólar, que apresenta uma alta acumulada de 2,96% (+2,92%) até o momento em 2024, e no BBG Commodities, um índice que monitora a valorização ou desvalorização das commodities, o qual registrou umaquedade2,39% (-2,43%) neste ano. Assim, grande parte do terreno conquistado pelas commodities desde o final do ano passado está sendo perdido, refletindo os juros mais altos por um período prolongado em relação ao inicialmente previsto.
O corte de juros nos Estados Unidos ocorrerá mais cedo ou mais tarde neste ano, porém, dados robustos da economia americana estão retardando esse movimento inicial. À medida que o Fed não reduz os custos de empréstimos no país, crescem os prêmios dos títulos do tesouro americano assim como os fundamentos do dólar mais valorizado em relação às outras moedas. Enquanto isso, as commodities continuam enfrentando um cenário adverso, marcado pela força do dólar americano, demanda reduzida e o risco de recessão, embora este último seja bastante reduzido, ainda persiste em meio um cenário monetário bastante restritivo.
Por Victor Arduin, analista de Macroeconomia e Energia da hEDGEpoint Global Markets
Fonte: hEDGEpoint Global Markets
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