Publicado em: 24/03/2026 às 11:20hs
O mercado internacional da soja apresentou volatilidade nesta terça-feira (24), com os preços alternando entre leves quedas e ganhos na Bolsa de Chicago. O movimento refletiu a combinação de ajustes técnicos, influência dos derivados e fundamentos globais, enquanto, no Brasil, a colheita segue em ritmos distintos entre as principais regiões produtoras.
As cotações da soja iniciaram o dia em baixa na Bolsa de Chicago, acompanhando a fraqueza de outras commodities, especialmente do óleo de soja. O mercado foi pressionado por realização de lucros e ajustes técnicos após oscilações recentes.
Por volta das 7h05 (horário de Brasília), os principais contratos registravam variações entre 2,50 e 3,25 pontos. O vencimento maio era cotado a US$ 11,60 por bushel, enquanto julho atingia US$ 11,76.
A queda do óleo de soja exerceu impacto direto sobre o grão, mesmo diante da alta do petróleo nos mercados internacionais, limitando o potencial de recuperação da oleaginosa no curto prazo.
Apesar da pressão do óleo, o farelo de soja apresentou leves ganhos, oferecendo suporte às cotações e evitando quedas mais intensas.
Milho e trigo, também negociados em Chicago, registraram pequenas altas, contribuindo para um ambiente mais equilibrado entre os principais grãos. Ainda assim, esse suporte não foi suficiente para reverter o viés negativo predominante da soja no início do pregão.
Os investidores mantêm atenção ao cenário internacional, com destaque para as tensões no Oriente Médio, que continuam influenciando os mercados globais, especialmente o de energia.
Outro ponto relevante é a expectativa em torno das relações comerciais entre Estados Unidos e China. Uma possível reunião entre Donald Trump e Xi Jinping pode trazer desdobramentos importantes para a demanda pela soja norte-americana.
Além disso, políticas voltadas ao setor de biocombustíveis nos Estados Unidos seguem no radar, com संभावíveis mudanças capazes de impactar o consumo de óleo de soja.
Ao longo do dia, o mercado registrou leve recuperação, com os contratos internacionais encerrando em alta. Segundo a TF Agroeconômica, o movimento foi sustentado por sinais de demanda aquecida e expectativas relacionadas às políticas energéticas dos Estados Unidos.
Os contratos de maio e julho fecharam com valorização de 0,19% e 0,21%, respectivamente. As inspeções de exportação somaram 1,10 milhão de toneladas, com forte participação da China, reforçando o suporte às cotações.
No Brasil, a colheita da soja segue em ritmos distintos entre os estados, refletindo impactos climáticos e desafios operacionais.
No Rio Grande do Sul, apenas 5% da área foi colhida, com produtividade afetada pela estiagem e queda estimada em 9,7%. A menor oferta tem sustentado preços mais elevados nas praças locais.
Em Santa Catarina, a produção projetada em 3 milhões de toneladas garante o abastecimento interno, embora o custo do frete de milho pressione a cadeia de proteínas animais. No Paraná, eventos climáticos severos elevaram os custos de produção e reduziram o ritmo das negociações, diante da incerteza sobre a rentabilidade.
No Centro-Oeste, o Mato Grosso do Sul enfrenta comercialização lenta e entraves logísticos. Já o Mato Grosso praticamente concluiu a colheita, com recorde de produção e plantio da safrinha finalizado. Apesar do volume elevado, os custos de transporte seguem limitando a competitividade do produtor.
No Extremo Oeste da Bahia, os preços permanecem firmes no mercado físico, sustentados pela vantagem logística da região em relação ao Centro-Oeste.
Com o avanço da colheita na América do Sul, a oferta global de soja aumenta, exercendo pressão sobre os preços internacionais. Ao mesmo tempo, fatores como logística, demanda externa e políticas energéticas continuam determinando o comportamento do mercado.
No curto prazo, a tendência é de manutenção da volatilidade, com os agentes atentos aos desdobramentos geopolíticos, ao ritmo das exportações e às condições da safra sul-americana.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias