Publicado em: 27/03/2026 às 11:30hs
Os preços da soja encerram a semana em alta na Bolsa de Mercadorias de Chicago nesta sexta-feira (27), sustentados por um movimento de recomposição técnica e pelo suporte do complexo de derivados, especialmente o óleo de soja.
Por volta das 7h05 (horário de Brasília), os principais contratos registravam ganhos entre 2,75 e 4 pontos. O vencimento maio era cotado a US$ 11,76 por bushel, enquanto julho atingia US$ 11,92 por bushel.
O avanço do petróleo no mercado internacional tem sido um dos principais fatores de sustentação para o complexo da soja. Nesta sexta-feira, a commodity registra alta superior a 1%, impulsionando diretamente o óleo de soja e, consequentemente, o grão.
Além disso, expectativas de mudanças nas regras de biocombustíveis nos Estados Unidos também fortalecem o mercado do óleo, que lidera os ganhos entre os derivados.
O mercado também acompanha atentamente a demanda global, especialmente da China, principal compradora da soja norte-americana.
Dados recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos indicaram vendas semanais acima das expectativas, com forte participação chinesa. Esse cenário contribui para a sustentação das cotações.
Outro fator relevante é a expectativa em torno do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, marcado para os dias 14 e 15 de maio, em Pequim. O mercado aguarda definições sobre o futuro das compras chinesas de soja dos Estados Unidos.
As oscilações no mercado de petróleo e as tensões geopolíticas seguem influenciando o comportamento das commodities. Investidores monitoram possíveis avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã em busca de um cessar-fogo, embora as informações ainda sejam divergentes.
Esse ambiente mantém elevada a volatilidade nos mercados globais, refletindo diretamente nas cotações da soja.
O mercado internacional da soja registrou leve recuperação, com destaque para o desempenho dos subprodutos. O contrato maio avançou 0,17%, enquanto julho subiu 0,15%.
O farelo de soja voltou a subir após uma sequência de quedas, apoiado por vendas externas relevantes. Já o óleo de soja apresentou ganhos mais expressivos, impulsionado pelas expectativas regulatórias nos Estados Unidos.
As exportações semanais de soja em grão também superaram as projeções, reforçando o viés positivo do mercado.
No Brasil, o avanço da colheita e os custos logísticos seguem influenciando o ritmo de comercialização.
No Rio Grande do Sul, a colheita atinge cerca de 10% da área, com grande variabilidade na produtividade. Enquanto os portos operam com estabilidade, o interior enfrenta negociações travadas devido ao alto custo do frete, pressionado pelo diesel.
Em Santa Catarina, a demanda das agroindústrias mantém o mercado aquecido, garantindo liquidez e sustentação dos preços.
Já no Paraná, a colheita alcança 82%, mas enfrenta entraves fitossanitários nas exportações para a China, além de custos logísticos elevados, o que dificulta o escoamento e gera insatisfação entre produtores.
No Mato Grosso do Sul, a colheita também chega a 82%, com tradings oferecendo prêmios para estimular a comercialização. Ainda assim, muitos produtores optam por reter parte da produção.
No Mato Grosso, o cenário é marcado por fretes elevados e forte demanda por transporte. Ao mesmo tempo, a indústria de biodiesel amplia sua atuação, contribuindo para absorver parte da oferta disponível.
O mercado da soja segue sustentado pela combinação de demanda internacional aquecida, valorização dos derivados e influência do petróleo. No entanto, no Brasil, os altos custos logísticos e desafios operacionais continuam limitando o avanço das negociações, mesmo diante de um cenário global favorável.
Fonte: Portal do Agronegócio
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