Mercado Financeiro

Selic: o que esperar para decisão do Banco Central

Especialistas do mercado financeiro comentam sobre expectativas para próxima reunião do Copom e investimentos que são mais atrativos nesse cenário de juros altos


Publicado em: 03/05/2023 às 10:35hs

Selic: o que esperar para decisão do Banco Central

Na próxima semana, o Copom - Comitê de Política Monetária do Banco Central - se reúne para tomar decisões em relação aos próximos passos da política monetária. Recentemente, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que as condições para a queda de juros, hoje em 13,75%, ainda não estão dadas e que o anseio pela queda de juros é político, mas o trabalho feito pelo Banco Central é técnico. 

Em meio a esse cenário, Ricardo Jorge, especialista em renda fixa e sócio da Quantzed, concorda que a expectativa para a decisão da próxima reunião do Copom é de manutenção da taxa de juros atual. “Por mais que a inflação tenha arrefecido, a gente precisa de mais consistência nos dados para começar um ciclo de afrouxamento monetário. Então, a expectativa para a próxima reunião ainda é de manutenção. Os dados trazem ânimo para o mercado, mas de fato, ainda são insuficientes para que a gente possa esperar algum afrouxamento monetário. O BC vai continuar observando os próximos dados de inflação para aí sim mais à frente, tendo uma consistência maior em termos de desaceleração de preços, começar o processo de corte de juros”, afirma. 

Ricardo Brasil, fundador da Gava Investimentos e pós-graduado em análise financeira, concorda. Segundo o especialista, o Copom vai esperar ainda uma sinalização melhor da queda da inflação de fato para começar a diminuir os juros. “O Banco Central vai manter a taxa atual na próxima reunião. Mas acredito que, se os indicadores continuarem melhorando como já estão, poderemos então, ver um início de queda de juros lá para agosto. Mas tudo isso vai depender muito também do cenário externo e também das decisões do FED, nos EUA, quanto aos juros por lá também”, afirma.

Na última semana, o IPCA-15 trouxe ainda dados abaixo do consenso do mercado, porém o que preocupou os investidores foi que, apesar do índice ter vindo abaixo, há ainda uma persistência maior na alta dos núcleos (que excluem alimentos, energia elétrica e combustíveis). De acordo com André Fernandes, sócio da A7 Capital, o núcleo do IPCA-15 teve uma aceleração de +0,48% ante +0,46% do mês anterior, e ficando levemente acima da média histórica, o que reforça o discurso do Banco Central de aguardar uma desaceleração dos núcleos antes de iniciar a discussão para cortes na taxa básica de juros Selic. 

“Percebemos que o Banco Central deve manter o discurso de não cortar os juros tão cedo por conta da aceleração dos núcleos, mas isso pode trazer ainda mais impactos negativos nos balanços das empresas, que estão com queda em suas margens, aumento no endividamento, e dificuldades para conseguir manter suas atividades por conta do custo alto de crédito”, comenta Fernandes.

Diante desse cenário que permanece com a taxa de juros em 13,75% ao ano, Andressa Bergamo, sócia-fundadora da AVG Capital, acredita que diversificar e mesclar os papeis na carteira é fundamental e comenta que os prefixados podem ser uma opção excelente para o momento atual. “Para um investimento de longo prazo de um tempo para cá eu já venho indicando alguns investimentos de renda fixa prefixados tendo em vista que em algum momento essa taxa deve cair”, diz ela.

Embora os prefixados estejam interessantes, a analista da AVG diz que não se deve deixar de lado os pós-fixados, “visto que a gente não sabe quando vai ser a redução de taxa. Então é preciso aproveitar esses 13,75%, e colocar na carteira um pós, indexado à Selic, porque querendo ou não o título vai acompanhar essa taxa de juros de 13,75%”.

Bruno Piacentini, economista, analista de investimentos e sócio da Eu me banco, também acredita que o momento é favorável para os títulos pós-fixados: "Normalmente, olhamos para esses títulos para a reserva de emergência do investidor, mas em um cenário de juros elevados, podemos expandir mais o percentual alocado nestes ativos". O economista também faz um alerta em relação à escolha de ativos prefixados: "Os títulos prefixados podem ser perigosos se o investidor não tiver conhecimento da marcação a mercado. Esses títulos pagam uma taxa fixa ao investidor até o vencimento, mas apesar dessas taxas estarem bem atrativas, é necessário ter a consciência de que o investidor só a receberá se manter o título até o vencimento. Caso precise resgatar o recurso antecipadamente, poderá ter prejuízos de acordo com a movimentação da taxa de juros", diz.

Para Piacentini, na carteira do investidor, sem dúvida alguma, os títulos que não podem faltar são os CDBs pós-fixados atrelados à taxa DI e até mesmo o Tesouro Selic que remunera ao investidor a taxa Selic, também de maneira pós-fixada. "Esses títulos possuem alta segurança com relação ao risco de mercado e estão bem atrativos neste momento, por conta da Selic elevada. Além disso, o investidor pode buscar diversificação em ativos com um pouco mais de risco dentro da própria renda fixa. Opções como debêntures, CRI e CRA não podem ser descartadas, porém, é preciso considerar o risco de crédito desses ativos. Nem sempre o título que paga a maior taxa é o melhor, pois o risco de crédito pode estar muito elevado", comenta.

Enquanto a renda fixa surfa um momento favorável, Robson Casagrande, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, explica que, por outro lado, muitas ações têm sido impactadas negativamente com este cenário de juros altos. "Com um custo de capital elevado as empresas lucram menos e repassam menos dividendos para seus acionistas. Os ativos que mais são afetados negativamente são os de renda variável. Um exemplo são os Fundos Imobiliários, que perdem atratividade no mercado devido à facilidade do investidor em buscar rentabilidade em ativos de menor risco e com menos volatilidade. Com a Selic a 13,75%, facilmente o investidor consegue uma rentabilidade de 1% a.a. Este percentual é muito próximo do que muitos fundos imobiliários pagam de dividendos. Por este motivo, muitos estão sendo negociados abaixo do seu valor patrimonial".

Guilherme Lamonica, especialista em investimentos e sócio da Matriz Capital, comenta sobre a possibilidade de investimentos em ativos livres do imposto de renda, como as LCIs, LCAs, debêntures incentivadas, CRIs e CRAs. "Para investidores que possuem um perfil de investimento conservador ou moderado e que não tenham a necessidade de disponibilidade dos recursos que serão aplicados nestes produtos, esses ativos são ótimas recomendações. Não só por conta da isenção do IR, mas também por serem investimentos que costumam ser seguros e que rendem acima das convencionais poupanças, por exemplo", afirma. 

Lamonica destaca a importância de ficar atento ao IOF, que incide sobre alguns produtos específicos, como CDBs, por exemplo. "Estes costumam ser cobrados em resgates realizados até o 29º dia para as aplicações que possuem este tipo de imposto. Além dos impostos, é sempre importante levar em conta se há incidência de taxas de administração, resgate e custódia antes de se realizar qualquer aplicação", explica.

Apesar do nome “renda fixa”, é importante, segundo Idean Alves, sócio e chefe da mesa de operações da Ação Brasil Investimentos, ficar atento à marcação a mercado, que faz com que os preços dos títulos variem diariamente: “O brasileiro viu na prática que a renda fixa não é puramente fixa. Por isso, é fundamental diversificar a carteira, entender o seu perfil de investimento e tentar conciliar os riscos, pois sem perceber um vencimento longo a uma taxa de hoje pode mudar muito ao longo do tempo e essa variação tem um preço que pode ser "pago" caso o investidor opte por vender o seu título, por exemplo”.

Nesse momento de juros altos, Rodrigo Cohen, analista de investimentos e co-fundador da Escola de Investimentos, recomenda: “A dica para o investidor é diversificar e não colocar todos os ovos na mesma cesta. Ter uma carteira diversificada é importante, além de estudar, se informar e saber o que está fazendo. Então, em momentos em que a bolsa está caindo, o ideal é ficar de fora e esperar. Ou ficar fora da bolsa e migrar para ativos conservadores ou permanecer na bolsa sabendo que pode até cair, mas que o mercado pode se recuperar e subir de novo”.

Fonte: shz Agência

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