Publicado em: 10/05/2024 às 10:45hs
O otimismo inicial do mercado em relação a cortes na taxa de juros dos EUA no final de 2023 cedeu lugar a uma perspectiva mais cautelosa. Os indicadores econômicos, embora indiquem melhora na inflação, sugerem que a convergência para a meta de 2% será mais gradual do que o previsto anteriormente. A Hedgepoint Global Markets aborda o tema em relatório desta semana.
“Esse cenário apresenta desafios para os mercados de commodities. A valorização do dólar, impulsionada pelos juros nos Estados Unidos, torna os ativos negociados na moeda americana mais caros. Não só há expectativa de que o custo dos empréstimos permaneça elevados por mais tempo, mas como também especulações de um novo aumento nos juros atualmente no intervalo de 5,25%-5,50%”, explica Victor Arduin, analista de Macroeonomia e Energia da Hedgepoint.
“O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) segue ressaltando que a condução da política monetária está condicionada à convergência dos indicadores econômicos para níveis mais favoráveis. Nesse sentido, vamos discutir nesse relatório alguns dos principais indicadores econômicos do país e sua influência para manutenção dos juros no país”, diz.
“Por enquanto, dados da semana passada sobre o mercado de trabalho nos EUA trouxeram algum alívio sobre necessidade de novos aumentos de juros em 2024. A criação de vagas de trabalho não-agrícolas ficou em 175 mil contra projeção do mercado de 243 mil. Já a taxa de desemprego teve um leve aumento para 3,9% (+0,1%). Ainda, os ganhos salariais reduziram seu ritmo de expansão de 4,1% para 3,9%”, destaca.
Por outro lado, apesar da desaceleração, o desempenho econômico no país permanece resiliente, principalmente com os números das vendas no varejo que apresentaram um crescimento robusto em março (+0,7%).
“Esse resultado, combinado com revisões altistas para o PIB americano, traz algumas preocupações e contribui para as dificuldades do Fed em conter a inflação e alcançar sua meta de 2%”, acredita.
Considerando que uma parcela significativa do PIB é composta pelos gastos das famílias, os quais estão diretamente relacionados ao poder de compra dos salários (ganhos reais), torna-se claro que ainda há um cenário de pressão inflacionária que dificultará a superação da "última milha" no combate à inflação nos próximos meses.
“A persistência da alta inflação nos Estados Unidos, medida tanto pelo índice CPI quanto pelo PCE, reforça o cenário de aversão ao risco entre os investidores, impulsionando os rendimentos dos títulos do Tesouro Americano e elevando o risco de uma recessão, embora esse risco ainda seja considerado baixo”, pondera.
A inflação vem superando as expectativas ao longo de 2024, o que diminui significativamente as chances de um corte na taxa de juros. No final de 2023, o mercado discutia a possibilidade de cortes nos juros no primeiro semestre de 2024. Agora, com a persistência da alta inflação, as especulações giram na possibilidade de um novo aumento.
No entanto, o impacto dos juros atuais na desaceleração da economia ficará mais claro à medida que novos dados forem disponibilizados, como os últimos números do mercado de trabalho.
“É improvável que o Fed intensifique ainda mais a política de juros restritivos, correndo o risco de levar o país à recessão. De acordo com o cenário de "pouso suave" ("soft landing") projetado pelo banco central americano, há espaço para dois cortes de 25 pontos-base na taxa de juros a partir de setembro até o final deste ano”, conclui.
Saber quando os juros começarão a cair é um indicador importante para o mercado de commodities, pois pode sinalizar uma reversão da valorização do dólar, impactando a demanda e a valorização dos ativos.
Nas últimas semanas vimos uma série de dados acima do esperado em relação à inflação nos Estados Unidos, resultando uma elevação da aversão ao risco e especulações sobre aumento de juros.
A persistência da inflação acima do esperado não invalida a efetividade da política monetária restritiva no combate à inflação. Observa-se uma melhora gradual nos últimos meses, a qual tende a se fortalecer no futuro, à medida que novos dados forem disponibilizados.
No atual cenário, esperamos que o tão aguardado corte de juros nos EUA ocorra a partir de setembro, terminando o ano com a redução de dois cortes de 25 pontos base.
Fonte: Hedgepoint Global Markets
◄ Leia outras notícias