Publicado em: 24/03/2026 às 11:30hs
O mercado brasileiro de milho iniciou a semana sob influência de incertezas externas e baixa liquidez interna. Apesar da sustentação dos preços em diversas regiões, o ritmo de negócios segue lento, com produtores e compradores adotando postura cautelosa diante da volatilidade internacional, do câmbio e do avanço da colheita.
A terça-feira tende a ser marcada por pouca movimentação no mercado físico de milho. Produtores e consumidores permanecem retraídos, aguardando maior clareza sobre o cenário externo e o comportamento dos preços.
A combinação entre oscilações na Bolsa de Chicago e variações no câmbio contribui para a indefinição. Mesmo com esse ambiente travado, as cotações domésticas apresentam relativa estabilidade.
No início da semana, a queda em Chicago e a desvalorização do dólar afastaram vendedores, mantendo as bases praticamente inalteradas em relação aos últimos dias.
Com o avanço da colheita e condições climáticas favoráveis em diversas regiões, o produtor segue avaliando o melhor momento para comercialização.
Enquanto os compradores apostam em preços mais baixos à frente, os produtores avaliam se priorizam a venda de soja ou milho neste momento, o que contribui para a lentidão nos negócios.
Os preços do milho variam conforme a região, mantendo relativa firmeza:
No interior:
Na B3, o mercado futuro apresentou comportamento misto, refletindo a cautela dos agentes.
O contrato com vencimento em maio de 2026 encerrou praticamente estável, a R$ 72,01. Já os vencimentos de julho e setembro de 2026 registraram leves recuos, cotados a R$ 70,89 e R$ 71,30, respectivamente.
Mesmo com a baixa liquidez, os preços seguem sustentados pela demanda ativa e pela necessidade de recomposição de estoques.
Na Bolsa de Chicago, os contratos de milho operam com pequenas variações, sem direção definida.
Os contratos com entrega em março de 2026 são negociados próximos de US$ 4,59 por bushel, com leve alta. O mercado internacional é influenciado por fatores opostos.
De um lado, a valorização do petróleo, impulsionada por tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã, sustenta os preços. De outro, a expectativa de ampla oferta global de milho limita avanços mais consistentes.
Além disso, a valorização do dólar frente a outras moedas também pressiona as cotações.
O dólar comercial opera em alta, próximo de R$ 5,27, acompanhando o avanço do índice global da moeda norte-americana.
A movimentação cambial segue como um dos principais fatores para o mercado brasileiro, influenciando diretamente a competitividade das exportações.
O ambiente internacional apresenta comportamento misto.
As bolsas europeias operam sem direção única, enquanto os mercados asiáticos encerraram o dia em alta, com destaque para China e Japão.
No mercado de energia, o petróleo WTI registra forte valorização, sendo negociado acima de US$ 91 por barril, reforçando a volatilidade nos mercados globais.
O avanço da safra também impacta o ritmo de comercialização no país.
No Rio Grande do Sul, a colheita atinge cerca de 86%, com mercado lento e preços entre R$ 56,00 e R$ 62,00 por saca. Em Santa Catarina, a colheita avança para 66,3%, mas as negociações seguem travadas.
No Paraná, a colheita da primeira safra chega a 80%, acima da média histórica, enquanto a segunda safra enfrenta impactos da irregularidade climática.
Em Mato Grosso do Sul, o mercado apresenta recuperação após quedas recentes, com preços entre R$ 55,00 e R$ 57,00 por saca, apoiados pela demanda do setor de bioenergia, embora ainda com baixa fluidez.
A tendência é de manutenção do ritmo lento de negócios no curto prazo. A combinação entre incertezas externas, avanço da colheita, comportamento do câmbio e expectativa de ampla oferta global mantém compradores e vendedores em posição defensiva.
Apesar disso, os preços seguem firmes, sustentados pela demanda interna e pela necessidade de reposição de estoques, mas sem força para movimentos mais expressivos no momento.
Fonte: Portal do Agronegócio
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