Publicado em: 19/01/2026 às 11:15hs
O mercado financeiro voltou a reduzir a projeção de inflação para 2026. Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (19) pelo Banco Central do Brasil (BC), a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 4,05% para 4,02%, indicando leve melhora nas expectativas do setor financeiro em relação à trajetória de preços no país.
Caso a previsão se confirme, o índice ficará abaixo da inflação de 4,26% registrada em 2025, mantendo-se dentro da faixa de tolerância da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Para os próximos anos, as expectativas permanecem estáveis:
Desde 2025, o Brasil adota o sistema de meta contínua de inflação, que tem como objetivo manter o IPCA em 3% ao ano, sendo considerado dentro da meta se variar entre 1,5% e 4,5%.
Após o ciclo de alta que levou a taxa Selic a 15% ao ano em 2025, o maior nível em quase duas décadas, o mercado projeta que o Banco Central seguirá reduzindo os juros ao longo de 2026.
As expectativas atuais do Focus são:
A trajetória indica confiança do mercado na desaceleração da inflação e em uma política monetária mais branda nos próximos anos, estimulando o crédito e os investimentos.
A projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 foi mantida em 1,80%, a mesma da semana anterior e abaixo da média esperada para 2025, que deve encerrar com expansão de cerca de 2,25%.
O resultado oficial do PIB de 2025 ainda não foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas o mercado já projeta um cenário de crescimento moderado e sustentado para os próximos anos.
Para 2027, a previsão também se mantém em 1,80%, sinalizando estabilidade na atividade econômica.
Mesmo com o cenário eleitoral previsto para o segundo semestre e as pressões externas sobre o dólar, o mercado financeiro manteve a projeção para a taxa de câmbio praticamente estável.
A expectativa é que o dólar encerre 2026 cotado em R$ 5,50, praticamente o mesmo patamar de fechamento de 2025, quando a moeda norte-americana caiu mais de 11% — resultado do diferencial de juros favorável ao Brasil e do cenário global de flexibilização monetária.
Analistas destacam, porém, que fatores externos, como as decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed) e a condução fiscal dos Estados Unidos, podem trazer volatilidade adicional ao câmbio ao longo do ano.
Os dados do Boletim Focus servem como termômetro para investidores, empresas e formuladores de políticas públicas. Expectativas de inflação e juros influenciam diretamente o comportamento do crédito, o consumo das famílias e o planejamento de custos no agronegócio — especialmente em setores dependentes de insumos importados ou financiamentos de longo prazo.
A queda nas projeções reforça o cenário de ajuste gradual da economia, com inflação controlada, juros em redução e perspectivas moderadas de crescimento.
Fonte: Portal do Agronegócio
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