Mercado Financeiro

Mercado de milho inicia 2026 com baixa liquidez, mas reage com alta nas bolsas

Preços seguem pressionados pela oferta regional e pelo ritmo lento das negociações, enquanto contratos futuros sobem na B3 e em Chicago


Publicado em: 13/02/2026 às 11:40hs

Mercado de milho inicia 2026 com baixa liquidez, mas reage com alta nas bolsas
Foto: Coopavel

O mercado de milho brasileiro começou 2026 em ritmo lento, com baixa liquidez, negociações pontuais e preços regionalizados. A combinação de clima irregular, cautela entre compradores e produtores e o foco na colheita da soja têm limitado os volumes de comercialização. Ainda assim, o cenário nas bolsas indica uma reação, com alta nos contratos futuros e ajustes nas estimativas de safra.

Sul e Centro-Oeste registram pouca movimentação e preços divergentes

De acordo com levantamento da TF Agroeconômica, baseado em dados da Emater, Epagri e DERAL, o ambiente permanece defensivo, especialmente no Sul e no Mato Grosso do Sul.

No Rio Grande do Sul, o preço médio estadual recuou 2,24%, passando de R$ 60,70 para R$ 59,34 por saca. As indicações no mercado spot variam entre R$ 57,00 e R$ 79,00, conforme a região. A colheita já alcança 50% da área, favorecida pelo tempo seco, mas há grande variação de produtividade devido à falta de chuvas e às altas temperaturas nas fases críticas das lavouras. A incidência de cigarrinha-do-milho aumentou, assim como casos pontuais de lagarta-do-cartucho. Parte das áreas inicialmente destinadas a grãos foi redirecionada para silagem por causa do estresse hídrico.

Em Santa Catarina, o mercado segue travado, com vendedores pedindo cerca de R$ 75,00 por saca e compradores ofertando em torno de R$ 65,00. A Epagri aponta redução de mais de 40% na população de cigarrinhas, mas mantém o alerta para patógenos presentes nas lavouras.

No Paraná, as indicações de venda giram em torno de R$ 70,00 por saca, enquanto as ofertas de compra permanecem próximas de R$ 60,00 CIF. A colheita da primeira safra já atingiu 18% da área, e 94% das lavouras estão em boas condições, segundo o DERAL.

Já no Mato Grosso do Sul, os preços recuaram para a faixa de R$ 53,00 a R$ 54,00 por saca, pressionados pela maior oferta local, mesmo com a demanda do setor de bioenergia.

Clima e câmbio influenciam o comportamento das cotações

Enquanto o mercado físico segue com pouca liquidez, as bolsas reagiram em alta nesta quinta-feira, impulsionadas por fatores externos, pela valorização do dólar e por ajustes nas projeções de safra.

Segundo análise da TF Agroeconômica, as cotações na B3 acompanharam o avanço registrado na Bolsa de Chicago (CBOT) e a valorização da moeda norte-americana. O movimento foi reforçado pela menor disponibilidade de grãos no mercado interno, já que muitos produtores estão focados na colheita e venda da soja.

A Conab também revisou levemente para baixo a estimativa de produção, refletindo os impactos do clima em algumas regiões e possíveis atrasos no plantio da safrinha, o que ajudou a sustentar os preços.

Contratos futuros sobem na B3 e em Chicago

Na B3, o contrato março/26 encerrou o dia cotado a R$ 70,75, com alta diária de R$ 0,78 e avanço semanal de R$ 0,65. O vencimento maio/26 fechou a R$ 70,35, enquanto o julho/26 terminou a R$ 68,40, ambos com leves ganhos diários.

Na CBOT, o milho também avançou, impulsionado pela forte demanda internacional. O contrato março subiu 0,88%, a 431,25 cents por bushel, e o maio teve alta de 1,20%, a 441,75 cents.

De acordo com relatório semanal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as vendas líquidas de milho norte-americano cresceram 99% em relação à semana anterior e ficaram 6% acima da média das últimas quatro semanas, somando 2,069 milhões de toneladas. O volume superou as expectativas e já representa 72% da meta de exportação de 83 milhões de toneladas projetada para a temporada.

Perspectiva é de mercado mais ativo nas próximas semanas

Com a colheita avançando e a demanda industrial se mantendo estável, o mercado de milho deve ganhar ritmo gradualmente nas próximas semanas. A expectativa é de que a retomada das negociações ocorra à medida que os produtores concluam o escoamento da soja e os compradores voltem a buscar recomposição de estoques.

Fonte: Portal do Agronegócio

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